Teatro Por Que Não?: Travessias
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quinta-feira, julho 05, 2018

Curiosidades: Quando o pau cai a fôia!*

Oi lindos!!

Como vocês podem ver aqui e aqui, fizemos esse espacinho para você saber um pouco mais sobre como montamos nossos espetáculos. 

Hoje a gente vai falar de algo que não é tão bacana, mas que deixa um monte de gente morrendo de curiosidade em saber como se faz isso em cena. 

Tiro, porrada e bomba: como é que fazemos cenas violentas?!



É claro que ninguém gosta de apanhar, né? Mas volta e meia cai em nossas mãos um texto em que o iluminado do dramaturgo coloca cenas mais intensas. 

O que fazer nessas horas?
a) Deixar que o ônus de ser ator bata na sua cara e se entregar de corpo e alma para tapas, socos e rasteiras? 
b) Levar pro pessoal, se tomar forte na cara, vai revidar em dobro, pensando que isso só vai agregar valor à cena?
c) Contratar alguém que tenha a façanha de tomar na cara e que possa ser o seu dublê?
d) Desistir de ser atriz e ver que essa vida não é pra você?
e) Nenhuma alternativa acima.

Antes que você já ligue para o Disque Denúncia, calma lá! Te digo que é possível fazer cenas de violência sem derramar uma gota de sangue ou fazer um hematoma. 

São diversas formas de se conseguir fazer cenas violentas: alguns grupos fazem treinamento com alguma arte marcial específica, outros procuram marcar movimentos e reproduzir cenas retiradas de outras fontes como filme, videoclipes, outros se inspiram em passos de dança e logo depois transpõe para uma cena de luta. Todos esses vieses tem uma coisa em comum: consciência corporal

Uma coisa é certa: quando se trata de pancadaria, tudo tem que ser bem calculado, para não sair apanhando de graça. Não dá para fazer a cena sem concentração, sem paciência e sem ensaio, pois um deslize pode comprometer a integridade do artista. (falei bonito agora, né non?)

Tô enrolando, enrolando e não tô te falando como a gente faz, né? Então vou usar como exemplo um dos nossos espetáculos e aí espero que tenha conseguido te explicar, ok?

O Abajur Lilás (2009-2012)

O finadinho espetáculo foi o que mais houve cenas de violência aqui no nosso catálogo. Não é por menos, pois se tratava de um texto extremamente intenso: conta a história de Dilma, Célia e Leninha, três prostitutas que vivem sob o mando do cafetão Giro e seu capanga Osvaldo. 

Foto: Gerardo Martinez

Vou tentar resumir ao máximo sobre o que se trata o texto. Respira fundo e vai...
O texto começa mostrando o quão degradante é o ambiente do bordel, com Dilma terminando mais uma noite de intenso trabalho. Mesmo tendo trabalhado o máximo que pode, é pressionada por Giro para fazer mais dinheiro. Em meio a discussão, Célia chega bêbada e causa tumulto. No dia seguinte, antes de começar mais um dia de batente, Dilma e Célia conversam a possibilidade de uma das duas estarem com tuberculose, Célia acaba desabafando sobre a vida horrível que levam e decide se rebelar, quebrando um abajur lilás. Dilma sabe que isso pode prejudicar ainda mais a situação dela e decide sair. Nesse meio tempo, Giro contrata Leninha, uma prostituta nova que poderá garantir maiores lucros para o bordel. Chegando no quarto de Célia e Dilma, Giro se depara com o abajur quebrado e fica furioso, porém, com Leninha perto, não quer causar muita bagunça e decide comprar outro abajur. Em seguida há o encontro das três colegas de trabalho, onde Dilma não quer falar sobre o abajur e Célia ainda continua emputecida. No meio da discussão, Célia quebra o abajur novo, e dessa vez Dilma é tomada por uma fúria e vai para cima de Célia. Leninha escapa antes que a culpa recaia nela. Com o quarto vazio, Osvaldo chega, vê o abajur quebrado e decide quebrar todo o quarto, pensando na consequencia que cairá sobre as meninas. Achando que o quarto quebrado foi obra das prostitutas, Giro começa uma sessão de interrogatório para descobrir quem foi que quebrou os dois abajures e o quarto. Utilizando de métodos aplicados de tortura que realmente aconteciam no país nos anos 60, Giro pressiona uma a uma para que entregue a culpada. Dilma desmaia, mas não denuncia. Leninha tenta não falar, mas acaba denunciando Célia. Sem ouvir os pedidos de desculpas de Célia, Osvaldo descarrega uma arma em cima dela. Terminada a sessão de tortura, Giro pede para as meninas se recomporem, limparem o quarto e irem trabalhar. 

Tenso, não é mesmo? Esse texto é de Plínio Marcos e é um retrato do Brasil no final dos anos 60, principalmente se tratando de perseguição militar, caça à contraventores, tortura e sumiço de pessoas. 

No texto original as torturas finais retratadas eram: queimaduras de cigarro, bicos dos seios apertados com alicate (Dilma), pau de arara (Leninha) e disparos de arma (Célia). Pensando em viabilidade e também na pouca experiência que tínhamos, substituímos o alicate por afogamento e a arma por martelo. 

Foto: Gerardo Martinez

As cenas eram ensaiadas isoladas e demarcadas, contando passos, medindo força em momentos de pegar as atrizes pelo cabelo e pela cintura, posicionando o corpo, etc. Logo após de feitas, eram repassadas repetidas vezes, sempre procurando mapear a cena. 

Foto: Gerardo Martinez

Um exemplo era a cena do martelo que mataria Célia. A estrutura era: Célia agarra as pernas de Osvaldo - Osvaldo afasta Célia com o pé no ombro dela - Célia cai - Osvaldo guia Célia até o ponto de impacto do martelo - Osvaldo apoia a mão sobre a cabeça de Célia - Osvaldo dá a primeira martelada na base ao lado da cabeça de Célia, previamente colocada - Célia relaxa totalmente o corpo.

Uma vez que a cena é mapeada, a fazíamos com maior tranquilidade, garantindo confiança em nossos colegas. 

Foto: Gerarddo Martinez

Uma coisa que aprendemos sobre consciência corporal é que quanto mais relaxado o corpo, menos arestas são feitas e, consequentemente, menos impactos isolados o corpo sofre. Um exemplo: por que bebês e pessoas bêbadas quando tomam um tombo não se machucam tanto? Porque tem anjos da guarda muito eficientes? Não. É porque o corpo está relaxado. Enquanto o bebê ainda não tem os reflexos apurados, o bêbado os tem anestesiados. 

Mas alerto: quando falamos de corpo relaxado em cena não é sinônimo de corpo morto. É um corpo sem tensões desnecessárias. Pegando a cena do martelo, se Célia resistisse em cair no momento em que Osvaldo põe o pé no ombro dela, ele o faria com mais força que resultaria num pisão forte e uma possível lesão no ombro. 

Chegamos no que denominamos como ação e reação. Pegamos a ideia de Newton e ajustamos para a nossa realidade - toda a ação gera uma reação MAS NÃO com o mesmo valor. Em miúdos, o que vemos como espectador é um pisão que Osvaldo dá em Célia, mas na realidade o Deivid (ator que fez esse personagem) apenas toca o ombro de Aline (quem fez a Célia). É o papel de Aline e Deivid representarem essa força.

Tipo assim?



Hehehehe, não, não precisa ser tão visceral assim, que nem esse tiozinho aí de cima. No caso de Abajur Lilás, as ações e reações tinham que ser mais próximas do real. Além da cena do martelo descrita e as cenas de torturas que comentei antes, tínhamos as seguintes agressóes cênicas:

- Puxões de cabelo;
- Tapas;
- Rasteiras; 
- Enforcamento;
- Chutes;
- Xingamentos; 
- e até cusparada na cara. 

Tenho que admitir que nos primeiros ensaios e as primeiras apresentações, as agressões saíam de linha e acabavam machucando mesmo. Aí entra o bom senso do elenco e da mediação do diretor: passávamos ensaios e mais ensaios discutindo qual seria a melhor forma de fazer tal cena sem que nem ninguém se machuque. Era de suma importância nos sentir livres em comunicar se alguma coisa estava nos incomodando para não perder principalmente o respeito entre nós.  

Depois de O Abajur Lilás, o único espetáculo que restou que tem cenas violentas é o Travessias, mas ainda assim não é tão intenso quanto o Abajur

Em uma das poucas cenas com agressão em Travessias, o menino obriga a menina a limpar o chão que até então estava desenhado. Como ela demora a apagar o desenho, o menino decide "ajudá-la", limpando o chão com o próprio corpo da menina, ou seja, a arrastando no chão. 

Foto: Divulgação TPQN?

Nesse caso, muda um pouco o trabalho corporal. Enquanto no Abajur buscávamos tirar tensões para a queda ser melhor amortecida, no Travessias, a atriz tinha que manter o torso firme para que o ator conseguisse carregá-la sem esforço. 

Novamente pontuo aqui, é tudo questão de consciência corporal. É saber como cada músculo do nosso corpo trabalha e treiná-lo para ser usado no momento certo. Temos nossos reflexos, que são involuntários, mas com treino e ensaio, condicionamos a retardar suas ações. 

Em caso de cenas de agressões, a improvisação não é bem-vinda e pode causar um grande estrago na apresentação. Querer criar uma ação na hora em uma cena que veio ensaiada várias vezes, tem muito mais chances de dar errado e de alguém acabar saindo machucado, do que dar certo e ser uma bela cena. Portanto, não banque o bonzão nessas horas, siga direitinho o que foi ensaiado que tudo sairá bem

Será que eu consegui matar a sua curiosidade? 

Se não, deixe as suas perguntas aqui que em breve a tia vai responder, beleza?!

*"Quando o pau cai a fôia" é uma expressão mineira que significa que a briga vai acontecer. Sinônimos: "quando pau vai comer", "quando a cobra vai fumar", "quando a casa cai", puzando pra terra gaúcha "pretiou os zóio da gatiada".

terça-feira, junho 05, 2018

Curiosidades: O que não é animado, mas faz parte da cena!

Olá pessoal! 

Como vocês podem ver neste post, temos uma sessão no nosso blog onde falamos dos bastidores do nosso catálogo. Muita gente tem curiosidade em saber como um espetáculo é feito e você poderá navegar por aqui para ver como a gente fez com os nossos. 

No post de hoje falaremos de um item que não indespensável, mas é muito importante na criação do espetáculo. 

O que é o que é: Não é animado na maior parte do tempo, mas faz parte da cena?

Estamos falando do Cenário Teatral: aquele item que tem o objetivo de ambientar o espectador no enredo do espetáculo. Além de nos mostrar onde que a peça está sendo narrada, o cenário descreve a época em que a história se passa, cria a ilusão da construção de um novo espaço, modificando o palco cênico, oferece material e inspiração para os atores e consequentemente auxilia na construção de cenas. Enfim... pensem que para quem trabalha com teatro, a concepção de uma ideia de cenografia não é simplesmente montar um local, tem-se que pensar em toda simbologia, estrutura e viabilidade,  cada item que é acresentado tem importância, foi bem pensado para estar ali, tudo isso para  que o espetáculo seja feito de forma fluída e sem tropeços. 

Embananei a sua cabeça, não é? Mas vou falando dos nossos cenários e espero que eu consiga te desbananar... (amei essa palavra!)

Travessias
Cenografia: Cristiano Bittencourt


O espetáculo começa com apenas um carrinho de supermercado velho, cheio de quinquilharias, garrafas vazias, pneus, que indicam que os personagens não tem uma moradia fixa... Se der na telha de ir embora, é só botar tudo no carrinho e seguir caminho para o próximo lugar. Conforme o espetáculo se desenrola, a nova casa deles é construída, um colchão com uma colcha num canto vira o quarto, os pneus amontoados do outro lado da cena vira a poltrona da sala. Os personagens são crianças e toda a construção do cenário vai se fazendo através de brincadeiras. 

Além disso, a mudança dos objetos transforma o cenário, ora era a casa deles, ora era o tribunal de julgamento, ora era a rua: essa é mais uma das magias que o cenário poder promover, mudanças de ambientes em um mesmo palco, ressignificando os objetos que estão em cena. 

Todo cenário de Travessias foi resultado de muita sucata. Cristiano elaborou o cenário pensando justamente no universo de meninos e meninas que vivem nas ruas e que vão recolhendo o que veem nos lixões para formar seus próprios patrimônios. A única coisa que não é vinda dos lixões e que os meninos despendem o pouco dinheiro que ganham é para a compra das balinhas milagrosas.

Say Hello para o Futuro
Cenografia: Cristiano Bittencourt


Com a mesma ideia do Travessias, de mudanças de ambientes, o cenário do Say Hello é composto por módulos com as seguintes formas:  dois cubos, um prisma triangular e, na primeira versão, tinha um cilindro. Além deles, tem 2 biombos e o chão coberto por linóleo. Todos com rodinhas, exceto o linóleo. 
Má que caramba é linóleo?
É um tecido impermeável, resistente, que tem um aspecto plastificado. Pode ser emborrachado, fosco, ou vinílico, com brilho. Sabe aqueles pisos para apresentação de dança? Então, é aquilo.
A palavra de ordem do cenário do espetáculo Say Hello para o Futuro é  praticidade. Os módulos são ocos, onde os objetos cênicos são guardados e retirados para cada determinada cena. Como se trata de um espetáculo composto por cenas curtas, que necessariamente não tem ligação entre elas, a mudança de ambientes é feita de forma mais dinâmica, como se pulássemos de abas do nosso navegador da internet. 

Segundo Cristiano, a ideia do cenário vem da construção das placas de computadores, onde os componentes possuem essas formas geométricas básicas, como se fôssemos transportados para dentro de um computador. Como o chão dos palcos de teatro é feito com madeira, material que não tem nenhuma relação com a tecnologia plástica dos dias de hoje, optou-se por cobrir com linóleo para manter esse ambiente hi-tech. Não é um espetáculo realista, Say Hello permite construir um espaço que fica entre o que é real e o que é digital: além de todo cenário descrito, temos as projeções que enriquecem esse cenário. 

Amanhã Foi Outro Dia
Cenografia: Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Indenpente


Aqui chegamos no ponto oposto do Say Hello. Amanhã Foi Outro Dia é um espetáculo montado em um ambiente realista - ou seja, mais próximo da realidade possível. 
Realismo é um movimento artístico, onde tem o principal objetivo de retratar a realidade da vida, seja em pinturas, esculturas e até em peças teatrais. No teatro, o realismo veio com força com os trabalhos de Constantin Stanislavski (1863-1938). Segundo ele, o espetáculo era uma representação de uma fatia da vida. O seu empenho em transformar um espetáculo mais perto do real, incluindo na representação de atores, rendeu um método de atuação que é seguido até hoje nas escolas e faculdades de teatro. 
Voltando a programação, o cenário do Amanhã Foi Outro Dia é composto por uma estante, tábua de passar, mesa, cadeira, cômoda e tapete. A intenção aqui é nos transportar para uma casa de uma família de baixa renda. Apesar do espetáculo ser baseado em um texto dos anos 60, ele foi transportado para os anos 90, principalmente em uma época bem difícil aqui no Brasil. Estávamos sofrendo um retrocesso econômico muito grande, inflações altíssimas - herdeiras do período da ditadura, processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, cortes de empregos e custos, confisco de poupanças, o que acarretou em falência de empresas e famílias. 

Agora imagina o trabalhão que foi para se pensar em um cenário que pudesse juntar todas essas informações??

A palavra de ordem da cenografia do Amanhã Foi Outro Dia é reaproveitamento.  O cenário é a junção de cenários de outras peças que já foram realizadas tanto pelo TUI, quanto pelo Por Que Não? A ideia é dar uma cara de que não são móveis novos, que foram adquiridos de segunda mão, visto que naquela época, para comprar algo novo, tinha que dar um rim praticamente. Então o cenário não possui um acabemento bem atraente, aproveitando a cor natural da madeira e os descascados de pinturas anteriores. Por mais que sejam pobres, Joana é costureira e preza pelo cuidado do lar, então há de encontrar toalhinhas, almofadinhas e bordados que deem um tapa no visú da casa. 

Além de retratar essa época, o cenário deste espetáculo tem uma função-chave, diferente das mudanças de ambientes dos espetáculos Say Hello e Travessias. O cenário foi criado para trazer a sensação de mudança de tempo. Como foi isso?? Ah, meu caro, não sou spoiler, terá que assistir.

Amores aos Montes
Cenografia: Cezar Gomes (Entalier) e Polin

Foto: Cezar Gomes

Quando começamos o processo do  espetáculo Amores aos Montes, tínhamos em mente que, por ser na rua, o espetáculo deveria chamar atenção e ser visível, mas ao mesmo tempo teria que ser prático, pois enfrentaríamos diversos tipos de solos (cimentados, gramados, terra batida, britas...).

Além disso, teríamos que fazer um cenário em que pudéssemos carregar todos os objetos necessários, não ser pesado, para não depender de um carro para ser puxado e que possa sustentar uma pessoa em cima.

Chamamos o Cézar para pensar na logística e aí surgiu o nosso amado Carrinho! Ele é composto por barras de ferro, rodas de plástico resistentes, pratileiras móveis de madeira, com espaços para pendurar e guardar instrumentos e painéis retráteis para indicar cada fatia do espetáculo.

Ele é multi-uso: é o nosso camarim, palco e o cenário. Camarim pois carregamos todos os nossos figurinos, instrumentos, água e objetos cênicos que utilizamos durante todo o espetáculo; Palco, pois utilizamos o teto do nosso carrinho para encenar (para quem assistiu, estou falando das cenas Terapia de Casal e Trogloditus Masculinus) e também é com ele que delimitamos o espaço de cena; Cenário pois interagimos com ele, virando a Love Machine na última cena do espetáculo, por exemplo.

Para deixá-lo mais chamativo, chamamos o Polin para dar uma cara mais urbana nos nossos painéis, que serviam para mostrar sobre qual "não amor" estávamos encenando. Em cada painel falamos o que o amor não é: 1- O amor não é a cereja do bolo, 2- O amor não é frase pronta, 3- O amor não é seu ponto fraco e 4- O amor não é moeda de troca. Optamos pelo grafite pois é a linguagem das ruas, é a identificação do lugar onde estamos.

O Carrinho é desmontável, justamente para que possa ser transportado para apresentações fora de Santa Maria. Com ele já fomos para Santa Cruz do Sul, Rosário do Sul, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Nova Esperança do Sul, Vila Nova do Sul, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, São Pedro do Sul, Nova Palma... ufa, má rodou esse Carrinho, né não? E iremos para mais uma cidade gaúcha, anota aí e venha conhecer nosso Carrinho:

AMORES AOS MONTES na Viagem Literária
06 de junho de 2018 - 19h
Comunidade Evangélica de Vera Cruz
Vera Cruz - RS
Ingresso: R$ 15,00 (geral) ou 
1kg de alimento não perecível 
(para pais e alunos)

Não vai estar em Vera Cruz? Não tem problema! Estaremos em Santa Maria logo depois:

AMORES AOS MONTES
10 de junho de 2018 - 16h
Concha Acústica - Pq. Itaimbé
Santa Maria - RS
GRATUITA 
(má se quiser trazer um mimo para a gravidinha aqui, 
aceito de braços abertos... rsrsrs)

E aí? O que achou desta postagem? Informação à beça, não é mesmo?! Comenta aqui embaixo e deixe uma tia feliz!

Contamos com a presença de vocês!

Até a próxima!

Só na espera dos meus presentinhos... Pode ser comida tb, tá?

quinta-feira, abril 26, 2018

Curiosidades: Comida em cena!

Seja no filme, na novela e até mesmo no teatro, uma coisa que chama atenção é a presença de comidinhas em cena.

O que comem? 
Por que comem?
Será que conseguem comer e fazer a cena ao mesmo tempo?
Será que eles vão dividir um pedacinho comigo?

Então fiquem ligados neste post, que a gente vai falar um pouco sobre as comidas que colocamos em cena dos nossos espetáculos. Segue o nosso "Menú"!


Amanhã foi Outro Dia



Se tratando de uma montagem de um texto naturalista, ambientado em uma atmosfera realista, não é só o visual que conta, com o Amanhã Foi Outro Dia procuramos despertar outros sentidos para que o espectador tenha a sensação de estar na casa de Ezequiel e Joana

Para isso, logo no início temos uma panelada de arroz com carne moída e cenoura, que a gente deixa esquentando até o último momento de Joana abrir a panela e levantar aquela fumacinha e o cheirinho de comida recém-feita. Logo depois, Ezequiel reaquece o bule de café, para acompanhar o seu palheiro. E na finaleira do espetáculo, Joana e Ezequiel dividem uma bela bergamota para acompanhar a telona que Joana ganhou de aniversário. 

Foto: Eduardo Ramos


Travessias



Já aconteceram episódios onde esses dois pivetes roubavam comida de bolsas alheias. Já houve furtos de frutas e biscoitos água e sal. Depois de algumas alterações, uns bons puxões de orelha nessa molecada, eles pararam de roubar comida, mas não pararam de ganhar seu suado dinheirinho vendendo balas milagrosas. Não há preferência, são as que estão mais em conta durante a semana de apresentação, exceto se for daquelas pastilhas de giz - quem era dos anos 90 aposto que brincava  com elas, falando que eram aspirinas. Essa o diretor faz questão de ter. Valor das balas milagrosas: R$ 2,00. Por que são milagrosas? Ah... Só assistindo para saber!

É essa aqui! Lembrou?


Say Hello para o Futuro


De todo o espetáculo, haviam duas cenas que os atores podiam se deliciar. Na antiga cena do Casal Hashtag, Aline e André comiam balas de gelatina marshmallows e tinham que fingir que estava ruim, mas eram os primeiros a correr para os bastidores para comer o que sobrou depois que o espetáculo acabava.

Eita panelinha de guerra!
























Depois disso, a comida só vai aparecer novamente na última cena. Dentro daquela panela já passou salsichas, biscoito de polvilho e até bananas cortadas, mas que não deu muito certo porque escorregava pelos dedos. Para beber nas outras cenas, era água ou refrigerante de limão (não vou falar a marca, pois não nos patrocinam!) com corante. 

Má pára essa moto na BR!!!!


Como assim, antiga cena???????

Sim, meus caros, como qualquer aplicativo de smatphone que de semana em semana fica te alertando para atualizar para uma versão mais recente, o Say Hello para o Futuro também passará por atualizações para sair novinho nos palcos de Santa Maria. Mas isso é assunto para outro post, fiquem ligadinhos aqui no nosso amado blog ou nas nossas redes sociais para mais novidades.

Quer saber mais alguma curiosidade sobre os nossos espetáculos, integrantes e etc? Fala aqui embaixo, nos comentários, tá?


Até a próxima!







quinta-feira, outubro 12, 2017

Aconteceu! Travessias em conto



Em um sábado que tinha tudo para cair um toró, estavam dois atores no Espaço Cultural Victorio Faccin, apreensivos para mais uma apresentação. 

Era um espetáculo que acontecia poucas vezes no ano, então nada poderia dar errado. Afinaram as luzes, deram as marcações... Faltavam 2 horas para começar e eles já estavam maquiados.

Nervosismo?

Medo?

Ansiedade?



Não... era falta de olhar o relógio mesmo. 

Enchem o bucho de torrada murcha aquecida no microondas, um pouco pálida, mas incrivelmente deliciosa. Uma Coca Zero pra fazer descer. 

Começam a aquecer. Rola uma playlist de youtube, uma saracoteada no corpo, uma Pabllo Vittar para soltar a voz, uma Sia para imitar a guriazinha do clipe "Chandelier". Chegam e falam que a Copa está cheia e que há fila para bilheteria. 

Aquela vontadezinha de fazer xixi de nervoso arrepia até a nuca. Mas já era, não tem como, tá na hora e as pessoas já se acomodaram. 

Respiraram fundo.... 

Foi...



Pularam, brincaram, bordaram, se divertiram!

Terminaram satisfeitos, cansados, mas satisfeitos. 

Um gole de cerveja de latão, um (monte) de lencinho umedecido para tirar toda aquela craca de maquiagem, o suficiente para ficar bunitin. 

Uma ligada estratégica para Bira, nosso fiel botequeiro, uma mesa reservada e um alívio para os estômagos famintos. 


É... o dia valeu!

Até o próximo ano, Travessias!

Fotenhas: Anderson Martins

terça-feira, outubro 03, 2017

Travessias no EM CARTAZ 2017!!!

Oi, seus lindos!

Já estamos em outubro e o EM CARTAZ 2017 ainda tá firme forte. 

Viu a programação

Entonces, nessa semana é vez do espetáculo da casa botar as caras no palco do Espaço Cultural Victorio Faccin. É um espetáculo sazonal, apresentamos poucas vezes ao ano, então: não perca a oportunidade de assistir

TRAVESSIAS!


Foto: Eduardo Ramos

Se não te convenci ainda, então saiba mais sobre esse espetáculo divertido (sou suspeita de falar, né?! Mas é que é muito divertido mesmo apresentar):

"Depois de cada coito, qual é porcentagem dos direitos autorais deve ao preservativo?"

Essa foi a frase de Fernando Arrabal sobre o nosso espetáculo. Arrabal é o autor do texto "Oração",  que é a peça base do espetáculo Travessias. Para a gente ter a liberdade em apresentar o espetáculo, André Galarça (diretor e ator) resolveu entrar em contato com ele para ver como proceder com os direitos autorais. Além de ter recebido a benção do autor via email, Arrabal ainda nos catalogou como outro (mais um) "arrabalesque" em seu blog

É o espetáculo mais antigo em atividade do nosso catálogo de espetáculos

Travessias estreou em novembro de 2011, numa época que espetáculos pipocaram no catálogo do Por Que Não?, em função do final de ano acadêmico da UFSM.  No mesmo período estrearam O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, Do outro lado do passeio público Medea Mulher Material, O Diário de Anne Frank e Galáxias e ovos de galinha.

Estreia (que tempo bom... sdds) - Foto: Anderson Martins

Fomos até azoropa!


Apesar de poucas apresentações, Travessias cruzou o Atlântico e foi apresentado no Festival PERIFERIAS, do coletivo Chão de Oliva, em Sintra, Portugal. Isso foi em 2014. Lá, nos ofereceram um celular em troca de nossas balinhas milagrosas (ficou curioso, néééé? então, vem assistir), o celular ficou ligado e em cena o espetáculo inteiro, ou seja, poderiam ligar a qualquer momento. (cagaço feelings)

Coisas de estreia

É praticamente uma regra: quando é estreia, alguma coisa acontece. Não podia ser diferente com o Travessias - na hora do ensaio geral, em uma cena de briga, André lança Aline contra o carrinho de lixo, só que no meio do caminho tinha uma roda de bicicletinha. Resultado: estreia com o nariz dolorido e levemente inchado. Durante o espetáculo havia uma cena de assalto com o público, a bolsa  roubada da vez foi de uma guria que tinha recém-operado o ombro. Levamos a bolsa e o ombro da menina. (Carolzinha, desculpaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!)

O carrinho com a bicicletinha... Foto: Anderson Martins

André com dupla função

No primeiro momento, André estava só na direção do espetáculo. A dupla de atores na época era Aline Ribeiro e Cauã Kubaski. Por problemas de saúde, Cauã precisou sair e como estávamos em cima do laço, André achou melhor entrar na dança e foi atuar também. 

Brincadeira de criança

A estrutura do espetáculo foi feita em cima de brincadeiras infantis. André nos botou pra cavocar nossas lembranças de criança e tirar de lá várias referências para enriquecer o espetáculo. Não preciso nem dizer o quão emocionante foi esse processo, néam????

Mais referências!

Além do texto de Arrabal e nossas lembranças de criança, Travessias também se inspirou no documentário Juízo, que mostra a realidade de jovens infratores brasileiros no momento de seus julgamentos. Quer assistir? Olha aí embaixo:





Ufa! Agora tu vem nos ver, né???

Então anota aí e venha:

TRAVESSIAS no EM CARTAZ 2017
07 de outubro de 2017 - 20h30 
Espaço Cultural Victorio Faccin
Rua Duque de Caxias, 380 - Rosário
Ingressos: R$ 16,00 (inteira) e 
R$ 8,00 (estudantes e idosos) - tem online também!!!!

Contamos com a sua presença! Aliás, você poderá confirmá-la aqui!

Até a próxima!