Teatro Por Que Não?: ABCdoteatro
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quinta-feira, julho 05, 2018

Curiosidades: Quando o pau cai a fôia!*

Oi lindos!!

Como vocês podem ver aqui e aqui, fizemos esse espacinho para você saber um pouco mais sobre como montamos nossos espetáculos. 

Hoje a gente vai falar de algo que não é tão bacana, mas que deixa um monte de gente morrendo de curiosidade em saber como se faz isso em cena. 

Tiro, porrada e bomba: como é que fazemos cenas violentas?!



É claro que ninguém gosta de apanhar, né? Mas volta e meia cai em nossas mãos um texto em que o iluminado do dramaturgo coloca cenas mais intensas. 

O que fazer nessas horas?
a) Deixar que o ônus de ser ator bata na sua cara e se entregar de corpo e alma para tapas, socos e rasteiras? 
b) Levar pro pessoal, se tomar forte na cara, vai revidar em dobro, pensando que isso só vai agregar valor à cena?
c) Contratar alguém que tenha a façanha de tomar na cara e que possa ser o seu dublê?
d) Desistir de ser atriz e ver que essa vida não é pra você?
e) Nenhuma alternativa acima.

Antes que você já ligue para o Disque Denúncia, calma lá! Te digo que é possível fazer cenas de violência sem derramar uma gota de sangue ou fazer um hematoma. 

São diversas formas de se conseguir fazer cenas violentas: alguns grupos fazem treinamento com alguma arte marcial específica, outros procuram marcar movimentos e reproduzir cenas retiradas de outras fontes como filme, videoclipes, outros se inspiram em passos de dança e logo depois transpõe para uma cena de luta. Todos esses vieses tem uma coisa em comum: consciência corporal

Uma coisa é certa: quando se trata de pancadaria, tudo tem que ser bem calculado, para não sair apanhando de graça. Não dá para fazer a cena sem concentração, sem paciência e sem ensaio, pois um deslize pode comprometer a integridade do artista. (falei bonito agora, né non?)

Tô enrolando, enrolando e não tô te falando como a gente faz, né? Então vou usar como exemplo um dos nossos espetáculos e aí espero que tenha conseguido te explicar, ok?

O Abajur Lilás (2009-2012)

O finadinho espetáculo foi o que mais houve cenas de violência aqui no nosso catálogo. Não é por menos, pois se tratava de um texto extremamente intenso: conta a história de Dilma, Célia e Leninha, três prostitutas que vivem sob o mando do cafetão Giro e seu capanga Osvaldo. 

Foto: Gerardo Martinez

Vou tentar resumir ao máximo sobre o que se trata o texto. Respira fundo e vai...
O texto começa mostrando o quão degradante é o ambiente do bordel, com Dilma terminando mais uma noite de intenso trabalho. Mesmo tendo trabalhado o máximo que pode, é pressionada por Giro para fazer mais dinheiro. Em meio a discussão, Célia chega bêbada e causa tumulto. No dia seguinte, antes de começar mais um dia de batente, Dilma e Célia conversam a possibilidade de uma das duas estarem com tuberculose, Célia acaba desabafando sobre a vida horrível que levam e decide se rebelar, quebrando um abajur lilás. Dilma sabe que isso pode prejudicar ainda mais a situação dela e decide sair. Nesse meio tempo, Giro contrata Leninha, uma prostituta nova que poderá garantir maiores lucros para o bordel. Chegando no quarto de Célia e Dilma, Giro se depara com o abajur quebrado e fica furioso, porém, com Leninha perto, não quer causar muita bagunça e decide comprar outro abajur. Em seguida há o encontro das três colegas de trabalho, onde Dilma não quer falar sobre o abajur e Célia ainda continua emputecida. No meio da discussão, Célia quebra o abajur novo, e dessa vez Dilma é tomada por uma fúria e vai para cima de Célia. Leninha escapa antes que a culpa recaia nela. Com o quarto vazio, Osvaldo chega, vê o abajur quebrado e decide quebrar todo o quarto, pensando na consequencia que cairá sobre as meninas. Achando que o quarto quebrado foi obra das prostitutas, Giro começa uma sessão de interrogatório para descobrir quem foi que quebrou os dois abajures e o quarto. Utilizando de métodos aplicados de tortura que realmente aconteciam no país nos anos 60, Giro pressiona uma a uma para que entregue a culpada. Dilma desmaia, mas não denuncia. Leninha tenta não falar, mas acaba denunciando Célia. Sem ouvir os pedidos de desculpas de Célia, Osvaldo descarrega uma arma em cima dela. Terminada a sessão de tortura, Giro pede para as meninas se recomporem, limparem o quarto e irem trabalhar. 

Tenso, não é mesmo? Esse texto é de Plínio Marcos e é um retrato do Brasil no final dos anos 60, principalmente se tratando de perseguição militar, caça à contraventores, tortura e sumiço de pessoas. 

No texto original as torturas finais retratadas eram: queimaduras de cigarro, bicos dos seios apertados com alicate (Dilma), pau de arara (Leninha) e disparos de arma (Célia). Pensando em viabilidade e também na pouca experiência que tínhamos, substituímos o alicate por afogamento e a arma por martelo. 

Foto: Gerardo Martinez

As cenas eram ensaiadas isoladas e demarcadas, contando passos, medindo força em momentos de pegar as atrizes pelo cabelo e pela cintura, posicionando o corpo, etc. Logo após de feitas, eram repassadas repetidas vezes, sempre procurando mapear a cena. 

Foto: Gerardo Martinez

Um exemplo era a cena do martelo que mataria Célia. A estrutura era: Célia agarra as pernas de Osvaldo - Osvaldo afasta Célia com o pé no ombro dela - Célia cai - Osvaldo guia Célia até o ponto de impacto do martelo - Osvaldo apoia a mão sobre a cabeça de Célia - Osvaldo dá a primeira martelada na base ao lado da cabeça de Célia, previamente colocada - Célia relaxa totalmente o corpo.

Uma vez que a cena é mapeada, a fazíamos com maior tranquilidade, garantindo confiança em nossos colegas. 

Foto: Gerarddo Martinez

Uma coisa que aprendemos sobre consciência corporal é que quanto mais relaxado o corpo, menos arestas são feitas e, consequentemente, menos impactos isolados o corpo sofre. Um exemplo: por que bebês e pessoas bêbadas quando tomam um tombo não se machucam tanto? Porque tem anjos da guarda muito eficientes? Não. É porque o corpo está relaxado. Enquanto o bebê ainda não tem os reflexos apurados, o bêbado os tem anestesiados. 

Mas alerto: quando falamos de corpo relaxado em cena não é sinônimo de corpo morto. É um corpo sem tensões desnecessárias. Pegando a cena do martelo, se Célia resistisse em cair no momento em que Osvaldo põe o pé no ombro dela, ele o faria com mais força que resultaria num pisão forte e uma possível lesão no ombro. 

Chegamos no que denominamos como ação e reação. Pegamos a ideia de Newton e ajustamos para a nossa realidade - toda a ação gera uma reação MAS NÃO com o mesmo valor. Em miúdos, o que vemos como espectador é um pisão que Osvaldo dá em Célia, mas na realidade o Deivid (ator que fez esse personagem) apenas toca o ombro de Aline (quem fez a Célia). É o papel de Aline e Deivid representarem essa força.

Tipo assim?



Hehehehe, não, não precisa ser tão visceral assim, que nem esse tiozinho aí de cima. No caso de Abajur Lilás, as ações e reações tinham que ser mais próximas do real. Além da cena do martelo descrita e as cenas de torturas que comentei antes, tínhamos as seguintes agressóes cênicas:

- Puxões de cabelo;
- Tapas;
- Rasteiras; 
- Enforcamento;
- Chutes;
- Xingamentos; 
- e até cusparada na cara. 

Tenho que admitir que nos primeiros ensaios e as primeiras apresentações, as agressões saíam de linha e acabavam machucando mesmo. Aí entra o bom senso do elenco e da mediação do diretor: passávamos ensaios e mais ensaios discutindo qual seria a melhor forma de fazer tal cena sem que nem ninguém se machuque. Era de suma importância nos sentir livres em comunicar se alguma coisa estava nos incomodando para não perder principalmente o respeito entre nós.  

Depois de O Abajur Lilás, o único espetáculo que restou que tem cenas violentas é o Travessias, mas ainda assim não é tão intenso quanto o Abajur

Em uma das poucas cenas com agressão em Travessias, o menino obriga a menina a limpar o chão que até então estava desenhado. Como ela demora a apagar o desenho, o menino decide "ajudá-la", limpando o chão com o próprio corpo da menina, ou seja, a arrastando no chão. 

Foto: Divulgação TPQN?

Nesse caso, muda um pouco o trabalho corporal. Enquanto no Abajur buscávamos tirar tensões para a queda ser melhor amortecida, no Travessias, a atriz tinha que manter o torso firme para que o ator conseguisse carregá-la sem esforço. 

Novamente pontuo aqui, é tudo questão de consciência corporal. É saber como cada músculo do nosso corpo trabalha e treiná-lo para ser usado no momento certo. Temos nossos reflexos, que são involuntários, mas com treino e ensaio, condicionamos a retardar suas ações. 

Em caso de cenas de agressões, a improvisação não é bem-vinda e pode causar um grande estrago na apresentação. Querer criar uma ação na hora em uma cena que veio ensaiada várias vezes, tem muito mais chances de dar errado e de alguém acabar saindo machucado, do que dar certo e ser uma bela cena. Portanto, não banque o bonzão nessas horas, siga direitinho o que foi ensaiado que tudo sairá bem

Será que eu consegui matar a sua curiosidade? 

Se não, deixe as suas perguntas aqui que em breve a tia vai responder, beleza?!

*"Quando o pau cai a fôia" é uma expressão mineira que significa que a briga vai acontecer. Sinônimos: "quando pau vai comer", "quando a cobra vai fumar", "quando a casa cai", puzando pra terra gaúcha "pretiou os zóio da gatiada".

terça-feira, junho 12, 2018

A palavra é...

MELODRAMA (me.lo.dra.ma.)

Cena do Exercício Cênico do texto melodramático "A Filha do Mar", da turma de Experimentação do nosso Curso de Teatro (2014)

Gênero dramático que floreceu nos séculos XVIII e XIX, embora ainda hoje exerça grande influência tanto no teatro, como no cinema e na televisão. Devido ao uso da música incidental para expressar as emoções dos personagens e situções, o termo passou a ser aplicado a um tipo de drama com forte apelo emocional. As principais características eram o sentimentalismo, o mistério, o suspense, o equívoco, a coincidência, o sofrimento imerecido e a acusação indevida. A linguagem era em prosa e de caráter popular, no sentido de ser facilmente compreendida. O objetivo primeiro era comover e impressionar o espectador, e, para tanto, o autor não media esforços, sacrificando a motivação plausível, a verossimilhança, caracterizando artificialmente as personagens e enfatizando os efeitos espetaculosos, bem como as virtudes do herói e os vícios do vilão, com o que reafirmava a qualidade didático-moralista e sentimental da obra. O Melodrama, hoje referido perjorativemente, não chegou a criar grandes obras literárias, mas inspirou e influenciou decisivamente o drama romântico. 

Lendo essa definição provavelmente lá no fundo da sua memória deve ter surgido algo que você já viu pelo menos uma vez na vida... Ainda não reparou? A tia vai ajudar. O Melodrama é composto pelos seguintes personagens: 

1) Mocinha: é um poço de virtudes e qualidades que passa a trama inteira sofrendo por ser incompreendida e muitas vezes é apresentada como órfã, abandonada pelo destino. Frequentemente é acusada por algo que não fez. Tem o final feliz, quando o seu passado é revelado e as acusações são infundadas. 

2) Vilão:  é totalmente o oposto da Mocinha, mau, venenoso, perigoso e sem escrúpulos. Deseja ser alguém na vida, sempre almejando riquezas e posses. O final dele ou é o arrependimento e a aceitação da penitência, ou é a morte iminente.

3) Herói ou o Mocinho: é o par da Mocinha e tão bondoso quanto ela. Tem princípios e valores inabaláveis, por ser tão bondoso, pode ser facilmente enganado, mas até o final da trama consegue enxergar as coisas com maior entendimento e triunfa sobre o mal.  

4) Grande Dama ou Velho Pai: começa tendo caraterísticas de Vilão, todo mundo acha que não presta, mas é apenas mal compreendido, passou por um momento na vida que amargurou o seu coração, mas quando a trama se desenrola percebe que o tempo inteiro estava enganado e pede perdão pelo que causou a mocinha. Normalmente é a mãe/pai que pensou que tinha perdido a filhinha.

5) Bobo: é o personagem que alivia a situação, traz um pouco de comédia para uma trama tão tensa. Com suas atrapalhadas ele pode ser o personagem-chave que pode desvendar o mistério e ajudar a desatar o nó da trama. 

E agora? Tá vindo algo na sua memória? 

Ai, Jesus! Vou dar mais uma dica e já era,  tá? Sempre que tem uma cena intensa, se ouve uma música específica, tipo TAN TAN TAANNNN... 


NOVELA, criatura! 

O Melodrama é o tatatatatatatatatatatatatatataravô das nossas novelas, e nem importa a nacionalidade (brasileira, mexicana, indiana, americana...) sempre segue o mesmo esquema: romance - mal-entendido - mocinha que come o pão que o diabo amassou - vilã (ou vilão) que saltita sobre a carniça - reviravolta - um segredo revelado - um parente perdido - uma conexão de eventos - decadência da vilania - aquela cena final de casamento onde tudo acabou bem e aquela explosão de bebês para nascer. 

Para não ser injusta, aqui no Brasil, no começo dos anos 2000, as novelas tem tido maiores elaborações e que saem um pouco desse esquema - quem não se lembra da novela A Favorita, que logo no começo mostrou quem era vilã e quem era a mocinha de verdade, ou com a Avenida Brasil, em que a vilania variava entre a Nina e Carminha? 

Mas mesmo assim, lá no fundo ainda pulsa o sangue Melodramático

Duvida? Pois então vou te dar um tema: escolha uma novela que marcou muito a sua vida e tente encaixar os personagens que comentei ali em cima e os fatos no esquema que eu disse. Você verá que grande parte das coisas vão coincidir. 

Vou esperar você me dizer o resultado aqui nos comentários, ok?


Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

quinta-feira, maio 10, 2018

A palavra é...

Fé cênica (fé. cê.ni.ca.)

Vão me matar que eu coloquei essa foto, mas foi registrada em um dos momentos de estudo sobre um dos nossos espetáculos (ano de 2010, ou 2011... vixi... faz um tempo). Quis pegar essa porque olhas essas ricas carinhas, xóvens... 

Expressão criada por Constantin Stanislavski (1864-1938) para designar a capacidade do ator acreditar na ficção a ponto de convencer o espectador de que aquela ficção constitui uma realidade para o personagem. A aparência de verdade que o ator imprime aos gestos e movimentos ensaiados e às falas decoradas, tornando crível a sua interpretação. Para Stanislavski, fé cênica é o "estado psicofísico que nos possibilita a aceitação espontânea de uma situação e de objetivos alheios como se fossem nossos".

Em miúdos, sabe aquele momento em que você se emociona, ou morre de raiva, ou de pena, ou torce para aquele personagem? Seja nos palcos do teatro, seja nos filmes e até nas novelas, o que acontece naquele momento é que a interpretação do personagem foi tão verdadeira a ponto de despertar diversas sensações na gente. 

Muitas vezes isso acontece pois o ator se dedicou o possível para que o personagem crie essa aproximação com o público. Não é à toa que vimos em entrevistas que o ator fez um laboratório para trabalhar determinado personagem. 

O laboratório nada mais é do que um estudo aprofundado do personagem, através dele que o ator começa a criar essa "segunda vida", procurando entender quem é esse personagem, de onde ele vem, qual é o meio que ele vive, quais são os obstáculos que ele enfrenta, quais são suas qualidades, seus vícios, como se movimenta, como reage, como fala... Enfim, tudo isso gera um material preciosíssimo para o ator alcançar a fé cênica. 

E tu aí achando que ator não estuda, néam?

Tem alguma dúvida sobre o universo do teatro? Comenta aqui embaixo!

Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

terça-feira, abril 24, 2018

Processos e mais processos - Curso de Teatro

Uma coisa que atiça, e muito, a curiosidade do povo quando se trata de teatro é como a gente chega naquele resultado, ou seja, o espetáculo?

Então é aqui que você vai saber como a gente faz.

Primeiro de tudo, você tem que entender que o teatro é muito plural e que existem muitos, mas muuuuuuuitos meios, para você construir uma cena ou espetáculo, que não há uma fórmula exata, mas que há atalhos que podem facilitar nessa construção. 

Por isso que vou dividir em várias edições e você poderá acompanhar como é cada processo - o que nós fazemos no curso ou nos nossos espetáculos.

Captou a nossa mensagem? Então vamos lá! 

O que fazemos no Curso - Turma Livre?

Se você ainda não sabe, nós oferecemos o Curso de Teatro, voltado para pessoas que nunca fizeram teatro ou para pessoas que já tem uma certa prática e ainda oferecemos para diversas faixas etárias.

Hoje vamos falar da Turma Livre para Adultos, voltado para pessoas que nunca mexeram com teatro.

Apresentação da turma Módulo I - 2017

Como os alunos são iniciantes, o nosso intuito é que o processo de montagem do exercício final seja feito da forma mais tranquila e natural possível, sem a pressão de se decorar um texto inteiro de uma obra dramartúgica ou se prender à uma forma de construir cena

Para isso, não nos apegamos a um texto pronto, sempre começamos esse processo como uma pesquisa sobre a nossa auto-imagem. Lançamos mão de exercícios que fazem com que os participantes tenham maior consciência do corpo, que se sintam à vontade em estar presente no palco. 

A partir daí que começamos a esboçar algumas cenas, sempre partindo das ideias de nossos participantes. O nosso papel como instrutores é incentivar ideias, estimular a criatividade e refinar  todo esse material para fazer a cena.

Apresentação da turma Módulo II - 2017

Não elaboramos um espetáculo tradicional com atos e intervalos. Isso causa muito trabalho e consequentemente, muita pressão e em pouco tempo. Diferente das turmas infantil e juvenil, os adultos carregam muito mais bloqueios, que são acumulados ao longo da vida, como por exemplo:  se portar no emprego, na universidade, nos eventos sociais; experiências passadas no período escolar; nossas vivências com  a família e amigos, coisas pelas quais as crianças ainda não passaram e os jovens recém começarão a passar

Fazemos como um mosaico, juntamos as peças aos poucos. Nesse meio tempo, quando percebemos que um fragmento de texto pode encaixar bem em uma dessas peças, incluímos no processo, começamos o trabalho com o texto - voz, entonação, pausas, respiração... mas sempre de uma forma tranquila. Os textos podem ser variados (até uma bula de remédio vale!) e sempre prestamos atenção para que não fiquem sobrecarregados. Não é uma regra, se há uma cena que não tem necessídade de ter texto, ela irá para o palco sem texto e ainda assim será uma  boa cena.

Apresentação da turma Módulo I - 2017

O resultado disso tudo é uma apresentação de esquetes - espetáculos de curta duração, no máx. 15 minutos. 

Aqui com as nossas turmas, pensamos na vergonha e no medo de se apresentarem para um público, portanto as apresentações são fechadas - dando o livre arbítrio para o participante escolher quem poderá assistir, ou então promovemos o intercâmbio entre turmas, em que uma assiste a outra.

E aí? O que acharam?

Se você já fez o Curso com a gente e quer acrescentar mais alguma experiência que você teve, comenta aqui embaixo que a tia vai ficar muito feliz.

Apresentação da turma Módulo II - 2017

Ficou morrendo de vontade de experimentar?

As matrículas para o primeiro semestre  estão encerradas e seráo reabertas na segunda metade do ano de 2018. Masssss, se você não aguenta esperar até o segundo semetsre, clique aqui que nesse final de semana vai rolar a nossa Oficina de Iniciação Teatral, que mostrará um pouquinho do que a gente faz no Curso. E temos vagas!

Até a próxima!




quinta-feira, abril 19, 2018

A palavra é...

Palco Italiano (pal.co. i.ta.li.a.no.)

Entrada do público para o espetáculo Amanha foi Outro Dia - aqui no Espaço Cultural Victorio Faccin, o palco é bem italiano: cena pra lá e público para cá.

Tipo de palco característico dos teatros europeus a partir do séc. XVII. Trata-se de um palco retangular, aberto para a plateia e delimitado pela boca de cena (onde normalmente fica a cortina). A relação entre atores e espectadores é sempre frontal. Popularmente chamado de Palco Italiano é, ainda, o mais comumente encontrado nos teatros existentes atualmente, e apesar das limitações, oferece condições de visibilidade, acústica e ilusionismo o mais próximo possível da perfeição. 

Além do palco italiano, existem outras configurações de palco:

- Giratório: Parecido com o italiano, ele possui mecanismos para girar o assoalho, facilitando a mudança de cenário. Um exemplo é o programa de televisão Vai que cola, do canal Multishow

- Galpão: Ao invés da plateia ficar frontalmente, ela ocupa as laterais do palco, transformando o mesmo em um grande corredor. A relação atores/plateia não fica só de frente, oferecendo uma maior amplitude da cena. Um exemplo é a sede do grupo Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez, em São Paulo.

- Arena: A cena fica totalmente no centro e a plateia fica em volta, formando um círculo (pode ser um quadrado, um octógono... é bem livre). É uma confirguração característica dos espetáculos de rua, e oferece uma visão 360° da cena. 

- Semi-arena: Similiar à arena, com uma delimitação ao fundo da cena. Ali não há acesso ao público, é mais usado para desenvolvimento do espetáculo - troca de figurinos, descanso de atores. Um exemplo é o nosso espetáculo Amores aos Montes, onde delimitamos o fundo de cena com o nosso carrinho. 

- Black Box: É um espaço plural. Com a plateia feita basicamente por módulos, a configuração black box (caixa preta), permite montar o palco em diversas formas, incluse as que eu comentei antes. Aqui em Santa Maria temos um teatro assim - é o Teatro Caixa Preta, do Centro de Artes e Letras da Universidade Federal de Santa Maria (e temos um enorme carinho, pois todos nós trabalhamos como monitores de lá, na nossa época de universitários)


MA CHE?! Comprendere il post, ragazzi?? 


Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

terça-feira, abril 17, 2018

O que é esse adesivo que tá no seu perfil?

Se você tem um amigo artista na sua rede social, provavelmente você viu a foto de perfil dele desse jeito: 



E deve tá se perguntando por quê que tá com esse adesivo?

Senta aqui com a tia que vai tentar explicar. 

Lei para artistas

Primeiro de tudo você deve saber que todos os artistas e outros trabalhadores que se envolvem em produções culturais e artísticas tem uma lei federal. 

Estamos falando da Lei n° 6.533, que reconhece a nossa profissão legalmente. 

Mas o que isso significa para os artistas?

Ter uma profissão reconhecida por lei significa que temos direitos garantidos, tais como: piso salarial para cada categoria, aposentadoria, férias, assistência de sindicatos, limite de horas trabalhadas/semana e muitos outros direitos trabalhistas. 

Não foi fácil conseguir essa lei. Ela foi homologada em 1978, justamente em um período bem crítico - estávamos na era da ditadura - e firma a obrigatoriedade de ser ter um registro profissional para exercer a profissão artística: é o tão comentado DRT e é indispensável para a participação de grandes festivais de teatro, produções cinematográficas, telenovelas... 

Não estamos falando só de atores e nem só de teatro
Art . 2º - Para os efeitos desta lei, é considerado:
I - Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; 
II - Técnico em Espetáculos de Diversões, o profissional que, mesmo em caráter auxiliar, participa, individualmente ou em grupo, de atividade profissional ligada diretamente à elaboração, registro, apresentação ou conservação de programas, espetáculos e produções.
Portanto,  a lei abrange TODOS que trabalham com arte, não só atores, mas os técnicos que viabilizam as produções culturais. Ponha nesse balaio, além dos atores, operadores de luz, operadores de som, iluminadores, sonoplastas, figurinistas, cabeleleiros, maquiadores, camareiros, diretores, assistentes de direção, produtores, cenográfos, bailarinos, contrarregras, cenotécnicos, coreógrafos, artistas circenses (palhaços, malabaristas...), figurantes, animadores de festa, performers, eletricistas de palco, maquinista, roadies, dubladores... 

Agora imagina essa quantidade de profissionais perdendo todos os direitos conquistados. 

Adultos, jovens e crianças - é uma responsabilidade enorme apresentar um bom trabalho. Foto: Thiago Formentini

"Não é o exatamente querem fazer", mas essa será a consequência 

O que está em voga agora é que o Supremo Tribunal Federal quer tirar a obrigatoriedade de registro para se trabalhar com arte (ADPF n° 183 e 293).  

Trocando em miúdos, não precisará ter DRT para trabalhar em produções artísticas

Ah, Aline, mas isso não é bom? Não estaríamos democratizando o acesso à arte, permitindo que pessoas que não tem como passar por um Ensino Superior ou Curso Profissionalizante possam exercer essas funções?

Aí é que está! É uma faca de dois gumes, pois conseguimos entender que é necessário a arte ter essa abertura com a comunidade, mas a partir do momento em que não há uma lei que possa organizar e batalhar pelos direitos, vira uma verdadeira bagunça! 

Acabarão dando o aval para nos contratar do jeito que quiserem: 

- exigindo cachês com  valores muito abaixo do que o necessário;
- não sendo obrigados a pagarem um valor extra em caso de insalubridade ou excesso de horas trabalhadas;
- em caso de doença, não teremos direito ao auxílio-doença, podendo nos substituir sem pagamentos de horas trabalhadas anteriormente; 
- artistas mulheres perderão a licença maternidade, e nem poderemos pensar em plano de carreira e aposentadoria. 

Isso é apenas a ponta do iceberg. 

Quando tiramos a fiscalização da lei, poderemos nos deparar com profissionais incapacitados de exercer a função, podendo ser um grande perigo. Imagina deixar um projeto de luz de palco para alguém que não entende o mínimo de eletricidade, por exemplo?

Cada coisinha aí em cima da bancada do espetáculo "Say Hello para o Futuro" teve muitas mãos antes de tu ver no palco.

Segundo o STF, a lei que reconhece a profissão de artista e técnicos violaria a Constituição Federal (a mãe de todas leis do Brasil), principalmente  no 5° artigo, incisos IV, IX e XII, que 
“asseguram a livre manifestação do pensamento, a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura, além do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão”
Mas temos que saber diferenciar a livre expressão artística e o exercício profissional da arte - quando há uma relação de trabalho.

Trocando em miúdos, uma coisa é você ter a liberdade de se expressar artisticamente, compondo uma música, por exemplo, sem ser censurado. Outra coisa é você depender do trabalho artístico para pagar os seus boletos.  Botar esses dois conceitos em uma mesma balança, deslegitima justamente àquelas pessoas que precisam da arte para sobreviver. 

Por isso que há de se lutar para que não aconteça, trabalhamos com arte e para a arte e, como qualquer trabalho, também exigimos ter direitos.

Dia 26 de abril será crucial, pois é quando o STF julgará essa ação. 

Se você quer nos ajudar de alguma forma, assine o abaixo-assinado, converse com amigos e difunda a importância de se ter um trabalho digno e regulamentado também nas artes, que é uma área já subjulgada e marginalizada.

#profissaoartista
#merecemosdireitos





terça-feira, março 27, 2018

Feliz Dia Mundial do Teatro!

Isso mesmo seus lindos!

Hoje, dia 27 de março, comemora-se o Dia Mundial do Teatro. Aqui no Brasil, nesse dia também é celebrado o Dia do Circo

Momentos nostálgicos e de muito teatro - saudoso, MOSAICO!

Nesse dia, em muitos lugares nos mundo, são oferecidos espetáculos teatrais gratuitos justamente para celebrar uma das artes mais antigas do planeta. 

Tá, Aline, mas por que se celebra no dia 27 de março?

Tá, lindos, vamos específicar. Ele foi criado em 1961, pelo Instituto Internacional de Teatro (organização não-governamental criada pela UNESCO em 1948, voltada para a comunidade do teatro intenacional), em Paris. 

Mas a escolha de ser em março não foi aleatória. No Hemisfério Norte, o período de março cai justamente na virada das estações de inverno e primavera. Na Grécia, justamente o Berço do Teatro Ocidental, celebravam (e muito!) a chegada das estações, tendo uma comemoração dedicada a cada uma.

Na primavera, celebra-se o renascimento da flora e a reprodução fauna, sendo um momento de muita alegria e festa. Numa dessas festas encontramos As Grandes Dionisíacas

Dionisícas vem do nome Dionísio, Deus do vinho e do... Teatro! 

Estátua da representação de Dionísio, no Museu Du Louvre

Então, eram as festas dedicadas ao Deus Dionísio. Duravam mais ou menos 1 semana, onde eram compostas por sacrifícios à Dionísio, uma procissão e concursos teatrais - de ditirambos, comédias e tragédias. 

Com a invasão do Império Romano, Dionísio ficou conhecido como Baco e as Dionísicas viraram  o Bacanal. Sim, essa palavra chegou até nós... Maaas, agora você já sabe a origem dela. 


Como a pintura clássica e a fotografia chegaram muito depois, essa é uma ideia do que eram as Dionisíacas - olha Dionísio ali no fundo sendo carregado... esse é bom de garrafa!

Espero que tenha gostado de saber um pouquinho sobre teatro e se você quiser saber mais um pouco, deixe a sua pergunta aqui nos comentários! 😉😉😉

Até a próxima!

Manda a ver, Dionísio! EVOÉ!

sexta-feira, novembro 03, 2017

A palavra é...

DEIXA (dei.xa)

Cena do espetáculo do Do Outro Lado do Passei Público (2011) - Deixas para tudo quanto é lado: luz, fala, som, cenário, uma engrenagem complexa, mas que dá muita saudade... mais do que esses corpinhos esguios e jovens... ai ai ai 


Qualquer indicação visual ou sonora que permite o ator identificar o momento de entrar, falar ou agir em cena. O tipo mais comum de deixa são as últimas palavras de cada fala do diálogo. Ao memorizar as falas de seu personagem, o ator também deve memorizar as palavras finais do personagem com quem contracena. Usa-se o mesmo código para indicar os movimentos de luz e som ou de mudanças de cenário.

Às vezes as deixas são mais importantes que a própria fala, por isso, não seja tímido em fazer anotações em seus textos, marque as deixas já existentes (final de diálogo, rubricas, indicações técnicas) e escreva outras deixas que você pode criar para o trabalho individual (se há movimentações de colegas, se há uma determinada palavra na música da trilha, disposição dos objetos em cena...).

Vale tudo, desde que seja para te auxiliar no trabalho de atuação!

Utilização em uma frase:

"Tu é muito fominha, engole todas as minhas deixas"

Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

sexta-feira, agosto 04, 2017

A palavra é...

SOLILÓQUIO (so.li.ló.quio)


Momento do solilóquio da menina do espetáculo "Travessias" - Foto: Eduardo Ramos

Em geral, é o discurso de alguém consigo mesmo. No teatro, é a parte da peça em que o personagem, sozinho no palco, verbaliza seus pensamentos e emoções. O solilóquio pode consistir na pura e simples expressão de sentimentos ou na reflexão sobre um fato ou, ainda, um relato ou uma tomada de decisão, por isso possui características narrativas (quando está relatando um evento) e líricas (quando está falando subjetivamente - seja eventos ou emoções). Normalmente no palco utiliza-se o recurso da iluminação para sublinhar essa "solidão em cena": um foco luminoso bem fechadinho no personagem e o resto do teatro com as luzes apagadas. 


Utilização em uma frase:
"Me identifiquei com o solilóquio daquele personagem, me emocionei."

Fonte: Dicionário do Teatro - Luiz Paulo Vasconcellos


quinta-feira, julho 27, 2017

A palavra é...

ENSAIO (en.sai.o)

Ensaio do "Amores aos Montes" sob o olhar atento do Amadeus

É cada encontro com os artistas e técnicos para a elaboração de um espetáculo. É nele onde as ideias saem do papel e começam a ser experimentadas – seja na atuação dos atores, no teste de cores de figurino, etc. etc. etc. Normalmente é orientado pelo diretor, e até mesmo junto com o seu assistente. Conforme vai avançando ao resultado final, também há presença dos demais técnicos – cenógrafo, sonoplasta, iluminador. Possui variações:

ENSAIO DE MESA é o ensaio realizado com a leitura do texto, sem executar as cenas de fato. Também é utilizado para a coordenação técnica com os atores, um espaço para discussão sobre o espetáculo e o cronograma de atividades. Normalmente é realizado logo no início do processo, para orientar os futuros encontros; 

ENSAIO DE MARCAÇÃO é o ensaio mais técnico, onde o foco são entradas, saídas, movimentos do ator pelo espaço cênico, até mesmo, se for o caso, para cenas que exijam maior cuidado, como brigas, por exemplo;

- ENSAIO GERAL é o último ensaio antes da apresentação. É como se fosse uma pré-estreia, onde o espetáculo é passado do jeito que ele deve ser levado ao público. É o momento para pequenos ajustes, cuidando de alguns imprevistos que poderão acontecer. 

Utilização em uma frase:
“Não posso ir hoje, tenho ensaio”

Fonte: Dicionário de Teatro - Luiz Paulo Vasconcelos