Teatro Por Que Não?: Bate-papo
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quinta-feira, julho 05, 2018

Curiosidades: Quando o pau cai a fôia!*

Oi lindos!!

Como vocês podem ver aqui e aqui, fizemos esse espacinho para você saber um pouco mais sobre como montamos nossos espetáculos. 

Hoje a gente vai falar de algo que não é tão bacana, mas que deixa um monte de gente morrendo de curiosidade em saber como se faz isso em cena. 

Tiro, porrada e bomba: como é que fazemos cenas violentas?!



É claro que ninguém gosta de apanhar, né? Mas volta e meia cai em nossas mãos um texto em que o iluminado do dramaturgo coloca cenas mais intensas. 

O que fazer nessas horas?
a) Deixar que o ônus de ser ator bata na sua cara e se entregar de corpo e alma para tapas, socos e rasteiras? 
b) Levar pro pessoal, se tomar forte na cara, vai revidar em dobro, pensando que isso só vai agregar valor à cena?
c) Contratar alguém que tenha a façanha de tomar na cara e que possa ser o seu dublê?
d) Desistir de ser atriz e ver que essa vida não é pra você?
e) Nenhuma alternativa acima.

Antes que você já ligue para o Disque Denúncia, calma lá! Te digo que é possível fazer cenas de violência sem derramar uma gota de sangue ou fazer um hematoma. 

São diversas formas de se conseguir fazer cenas violentas: alguns grupos fazem treinamento com alguma arte marcial específica, outros procuram marcar movimentos e reproduzir cenas retiradas de outras fontes como filme, videoclipes, outros se inspiram em passos de dança e logo depois transpõe para uma cena de luta. Todos esses vieses tem uma coisa em comum: consciência corporal

Uma coisa é certa: quando se trata de pancadaria, tudo tem que ser bem calculado, para não sair apanhando de graça. Não dá para fazer a cena sem concentração, sem paciência e sem ensaio, pois um deslize pode comprometer a integridade do artista. (falei bonito agora, né non?)

Tô enrolando, enrolando e não tô te falando como a gente faz, né? Então vou usar como exemplo um dos nossos espetáculos e aí espero que tenha conseguido te explicar, ok?

O Abajur Lilás (2009-2012)

O finadinho espetáculo foi o que mais houve cenas de violência aqui no nosso catálogo. Não é por menos, pois se tratava de um texto extremamente intenso: conta a história de Dilma, Célia e Leninha, três prostitutas que vivem sob o mando do cafetão Giro e seu capanga Osvaldo. 

Foto: Gerardo Martinez

Vou tentar resumir ao máximo sobre o que se trata o texto. Respira fundo e vai...
O texto começa mostrando o quão degradante é o ambiente do bordel, com Dilma terminando mais uma noite de intenso trabalho. Mesmo tendo trabalhado o máximo que pode, é pressionada por Giro para fazer mais dinheiro. Em meio a discussão, Célia chega bêbada e causa tumulto. No dia seguinte, antes de começar mais um dia de batente, Dilma e Célia conversam a possibilidade de uma das duas estarem com tuberculose, Célia acaba desabafando sobre a vida horrível que levam e decide se rebelar, quebrando um abajur lilás. Dilma sabe que isso pode prejudicar ainda mais a situação dela e decide sair. Nesse meio tempo, Giro contrata Leninha, uma prostituta nova que poderá garantir maiores lucros para o bordel. Chegando no quarto de Célia e Dilma, Giro se depara com o abajur quebrado e fica furioso, porém, com Leninha perto, não quer causar muita bagunça e decide comprar outro abajur. Em seguida há o encontro das três colegas de trabalho, onde Dilma não quer falar sobre o abajur e Célia ainda continua emputecida. No meio da discussão, Célia quebra o abajur novo, e dessa vez Dilma é tomada por uma fúria e vai para cima de Célia. Leninha escapa antes que a culpa recaia nela. Com o quarto vazio, Osvaldo chega, vê o abajur quebrado e decide quebrar todo o quarto, pensando na consequencia que cairá sobre as meninas. Achando que o quarto quebrado foi obra das prostitutas, Giro começa uma sessão de interrogatório para descobrir quem foi que quebrou os dois abajures e o quarto. Utilizando de métodos aplicados de tortura que realmente aconteciam no país nos anos 60, Giro pressiona uma a uma para que entregue a culpada. Dilma desmaia, mas não denuncia. Leninha tenta não falar, mas acaba denunciando Célia. Sem ouvir os pedidos de desculpas de Célia, Osvaldo descarrega uma arma em cima dela. Terminada a sessão de tortura, Giro pede para as meninas se recomporem, limparem o quarto e irem trabalhar. 

Tenso, não é mesmo? Esse texto é de Plínio Marcos e é um retrato do Brasil no final dos anos 60, principalmente se tratando de perseguição militar, caça à contraventores, tortura e sumiço de pessoas. 

No texto original as torturas finais retratadas eram: queimaduras de cigarro, bicos dos seios apertados com alicate (Dilma), pau de arara (Leninha) e disparos de arma (Célia). Pensando em viabilidade e também na pouca experiência que tínhamos, substituímos o alicate por afogamento e a arma por martelo. 

Foto: Gerardo Martinez

As cenas eram ensaiadas isoladas e demarcadas, contando passos, medindo força em momentos de pegar as atrizes pelo cabelo e pela cintura, posicionando o corpo, etc. Logo após de feitas, eram repassadas repetidas vezes, sempre procurando mapear a cena. 

Foto: Gerardo Martinez

Um exemplo era a cena do martelo que mataria Célia. A estrutura era: Célia agarra as pernas de Osvaldo - Osvaldo afasta Célia com o pé no ombro dela - Célia cai - Osvaldo guia Célia até o ponto de impacto do martelo - Osvaldo apoia a mão sobre a cabeça de Célia - Osvaldo dá a primeira martelada na base ao lado da cabeça de Célia, previamente colocada - Célia relaxa totalmente o corpo.

Uma vez que a cena é mapeada, a fazíamos com maior tranquilidade, garantindo confiança em nossos colegas. 

Foto: Gerarddo Martinez

Uma coisa que aprendemos sobre consciência corporal é que quanto mais relaxado o corpo, menos arestas são feitas e, consequentemente, menos impactos isolados o corpo sofre. Um exemplo: por que bebês e pessoas bêbadas quando tomam um tombo não se machucam tanto? Porque tem anjos da guarda muito eficientes? Não. É porque o corpo está relaxado. Enquanto o bebê ainda não tem os reflexos apurados, o bêbado os tem anestesiados. 

Mas alerto: quando falamos de corpo relaxado em cena não é sinônimo de corpo morto. É um corpo sem tensões desnecessárias. Pegando a cena do martelo, se Célia resistisse em cair no momento em que Osvaldo põe o pé no ombro dela, ele o faria com mais força que resultaria num pisão forte e uma possível lesão no ombro. 

Chegamos no que denominamos como ação e reação. Pegamos a ideia de Newton e ajustamos para a nossa realidade - toda a ação gera uma reação MAS NÃO com o mesmo valor. Em miúdos, o que vemos como espectador é um pisão que Osvaldo dá em Célia, mas na realidade o Deivid (ator que fez esse personagem) apenas toca o ombro de Aline (quem fez a Célia). É o papel de Aline e Deivid representarem essa força.

Tipo assim?



Hehehehe, não, não precisa ser tão visceral assim, que nem esse tiozinho aí de cima. No caso de Abajur Lilás, as ações e reações tinham que ser mais próximas do real. Além da cena do martelo descrita e as cenas de torturas que comentei antes, tínhamos as seguintes agressóes cênicas:

- Puxões de cabelo;
- Tapas;
- Rasteiras; 
- Enforcamento;
- Chutes;
- Xingamentos; 
- e até cusparada na cara. 

Tenho que admitir que nos primeiros ensaios e as primeiras apresentações, as agressões saíam de linha e acabavam machucando mesmo. Aí entra o bom senso do elenco e da mediação do diretor: passávamos ensaios e mais ensaios discutindo qual seria a melhor forma de fazer tal cena sem que nem ninguém se machuque. Era de suma importância nos sentir livres em comunicar se alguma coisa estava nos incomodando para não perder principalmente o respeito entre nós.  

Depois de O Abajur Lilás, o único espetáculo que restou que tem cenas violentas é o Travessias, mas ainda assim não é tão intenso quanto o Abajur

Em uma das poucas cenas com agressão em Travessias, o menino obriga a menina a limpar o chão que até então estava desenhado. Como ela demora a apagar o desenho, o menino decide "ajudá-la", limpando o chão com o próprio corpo da menina, ou seja, a arrastando no chão. 

Foto: Divulgação TPQN?

Nesse caso, muda um pouco o trabalho corporal. Enquanto no Abajur buscávamos tirar tensões para a queda ser melhor amortecida, no Travessias, a atriz tinha que manter o torso firme para que o ator conseguisse carregá-la sem esforço. 

Novamente pontuo aqui, é tudo questão de consciência corporal. É saber como cada músculo do nosso corpo trabalha e treiná-lo para ser usado no momento certo. Temos nossos reflexos, que são involuntários, mas com treino e ensaio, condicionamos a retardar suas ações. 

Em caso de cenas de agressões, a improvisação não é bem-vinda e pode causar um grande estrago na apresentação. Querer criar uma ação na hora em uma cena que veio ensaiada várias vezes, tem muito mais chances de dar errado e de alguém acabar saindo machucado, do que dar certo e ser uma bela cena. Portanto, não banque o bonzão nessas horas, siga direitinho o que foi ensaiado que tudo sairá bem

Será que eu consegui matar a sua curiosidade? 

Se não, deixe as suas perguntas aqui que em breve a tia vai responder, beleza?!

*"Quando o pau cai a fôia" é uma expressão mineira que significa que a briga vai acontecer. Sinônimos: "quando pau vai comer", "quando a cobra vai fumar", "quando a casa cai", puzando pra terra gaúcha "pretiou os zóio da gatiada".

quinta-feira, junho 14, 2018

Processos e mais processos: Amanhã Foi Outro Dia

Estreado em 07 de setembro 2013, Amanhã Foi Outro Dia foi o resultado de uma comemoração de parcerias: foi a primeira vez que o trabalho conjunto entre Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Indenpendente (TUI) saiu da administração do Espaço Cultural Victorio Faccin e entrou para os palcos.

Foto: Eduardo Ramos

A ideia de montar esse espetáculo veio da curiosidade em ver como esses dois grupos trabalham artisticamente juntos. Já tínhamos experiências muito positivas com parcerias: antes do TUI, trabalhamos com o grupo Cia. Retalhos de Teatro (com os espetáculos No Fio da Navalha e O Santo Parto) e com o Teatro Camaleão (com o espetáculo Acordo Íntimo), então para entrar em mais uma parceria foi um pulo!

Quando começou a rascunhar esse novo espetáculo, o TUI estava com poucos integrantes ativos, Cristiano Bittencourt e Marcele Nascimento, e super empolgado em embarcar em uma nova montagem. Felipe (Martinez, diretor), que já tinha expressado o desejo de trabalhar com os dois, comunicou ao Por Que Não? que dessa vez o grupo trabalharia nos bastidores (na criação de figurino, luz, som...), vasculhou entre inúmeros textos para teatro e achou  Quando as Máquinas Param.

Diretor e atores Foto: Eduardo Ramos

Quando as Máquinas Param é um texto de Plínio Marcos (1935-1999), que foi escrito em 1963. Curiosamente foi o texto que Felipe trabalhou quando estava no segundo semestre do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria, em 2008.

Dividido em quadros, o texto conta a história de Zé e Nina, casados, que se veem em uma situação crítica: Zé está desempregado, o proprietário da casa onde eles alugam está pedindo a casa de volta, Nina descobre que está grávida e momento econômico do Brasil está em decadência. Ainda assim, Zé recebe uma proposta de emprego que lhe rende uma nova esperança. Porém, Zé percebe que não é tão simples assim: ele descobre que para arranjar um emprego terá que sujar as mãos - suborno, compra de vaga e corrupção. Atrelado ao fato de estar casado, Zé engole seco e não aceita a proposta, volta para casa desiludido. Chegando em casa, Zé se depara com a notícia da gravidez de Nina e decide convencê-la a não ter o filho. Devota aos santos, Nina não concorda e insiste em ter o filho. A trama termina com Zé agredindo Nina com um soco na barriga.

As obras de Plínio Marcos mostram que, não importa o que aconteça, os personagens são condicionados ao meio que vivem. Ou seja, se a pessoa surgiu em um ambiente hostil, por mais que ela tente reverter a situação, sempre haverão obstáculos que tornará essa atitude impossível. Essa é uma das características do movimento artístico Naturalista. Além disso, preferindo retratar personagens marginais, Plínio escancara a realidade da sociedade brasileira, com seus abismos sociais, preconceitos e indiferenças. 
“Não faço teatro para o povo, mas o faço em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro” - Plínio Marcos
Foto: Anderson Martins

Percebendo que o Brasil não teve uma mudança econômica intensa (o tal "milagre econômico" do início dos anos 70 não era para todos, diga-se de passagem!), Felipe viu que a economia do início dos anos 90 não estava muito distante da economia dos anos 60 e resolveu transpor a história de Plínio para esse período. 

Zé e Nina se tornaram Ezequiel e Joana e os quadros foram remexidos, ajustados, com trechos criados pelo diretor que deram uma renovada na obra de Plínio.

O primeiro obstáculo era atualizar o texto: as gírias que Plínio colocara no texto original já estavam em desuso nos anos 90. Palavras como batota, termos como "essa luz que me ilumina" eram muito marcados e de certo causaria estranheza para o novo público da primeira década dos anos 2000. Felipe se encarregou de pesquisar notícias, programas, propagandas que foram difundidas nos anos 90 e foi criando pontes para juntar o texto.

Isso influenciou diretamente na escolha de cenário, figurino e objetos cênicos. Como já foi comentado neste post aqui, o cenário foi pensado para retratar uma casa típica de uma família de renda baixa, com objetos típicos daquela década: quadros religiosos em molduras de plástico, vassoura de piaçava, bibelôs de gesso, frutas de plástico, toalhinhas com bordas de crochê... (quem foi criança nesse período dos anos 90, certo que vai identificar como a casa da tia, da vó ou da amiga da mãe...)

O cuidado era tanto que até o maço de cigarros de Ezequiel precisava passar para uma "atualização ao contrário".

O segundo obstáculo era deixar que trejeitos e reações cotidianas atuais, próprios dos atores, afetassem na montagem. Apesar do teatro realista exigir essa aproximação do real, muitas coisas que são abertamente discutidas e interpretadas com maior liberdade nos tempos atuais, anos 2000, na época de Ezequiel e Joana ainda eram tabus, como por exemplo o uso de drogas ou a relação do homem dentro de um casamento. Então, tanto o diretor quanto os atores, tinham que achar uma sintonia para que, mesmo que o espetáculo seja retratado nos anos 90, ele não seja estagnado e que ainda possua situações que são herdadas até hoje e que precisam ser discutidas.

Aí que está o foco do Amanhã Foi Outro Dia: mostrar para nós que por mais evoluídos que estamos, ainda assim patinamos em velhos valores e quando nos deparamos com uma situação extrema, quem pode nos dizer até onde vai o nosso senso de justiça, moral e bons costumes?

É um tapa na cara, pois saiu de um texto dos anos 60, passando por anos 90, chega aos anos 2000 e vimos que muito pouco mudou. O próprio Plínio diz: se meu teatro é necessário até os dias de hoje, significa que o mundo não evoluiu.

Foto: Anderson Martins

****SPOILER ALERT!**** 

(se você ainda não assistiu e não quer saber de spoilers, pare de ler aqui! Muito obrigada pela sua atenção e depois nos conte o que achou o espetáculo, ok?) 

Se você chegou até aqui, muito obrigada pela dedicação! O que tenho a falar a partir de agora é o que torna o espetáculo único.

No mesmo período que Felipe foi apresentado ao texto Quando as Máquinas Param, em 2008, ele assistiu o filme Irreversível (2003), de Gaspar Noé, e apesar de naquela época não ter o menor sentido fazer uma convergência entre essas duas obras, que até então eram apenas tarefas de faculdade, ele pode juntá-las 5 anos depois com o Amanhã  Foi Outro Dia.

Para quem ainda não conhece esse filme, conta a história de um homem (Marcus) em busca de descobrir quem foi a pessoa que agrediu e estuprou a namorada. Recomendo se tu tem estômago para assistir, pois ele é bem intenso. Mas o que chamou a atenção de Felipe não foi a história propriamente dita, mas como ela foi contada. O filme começa pelo final, ou seja, começa com Marcus encontrando o estuprador e acaba matando-o. Antes que tu pense "ai, aí já acabou com o filme", o fato de começar de trás para frente te induz a querer saber como o enredo chegou até ali. E era isso que Felipe buscava com o espetáculo.

Com Nina e Zé, de Plínio, o clímax (a notícia de gravidez, pedido de aborto e agressão) é apresentado no final da peça, você, como espectador, "entende" a linha de raciocínio de Zé, pois percorreu o texto todo até ali. Com Ezequiel e Joana, de Felipe, o clímax é apresentado logo no primeiro quadro, você, como espectador, se pergunta o que o fez agir daquela forma, assim, a sua linha de raciocínio é revertida.

Em miúdos: enquanto que na versão de Plínio pensamos em até que ponto essa história vai se desenrolar, na versão de Felipe pensamos em como a história chegou a esse ponto. Captou a diferença?!

Ficou interessado como isso foi feito, né não? Pois é, agora não vou falar meeeeeeeeeeeermo, tu terá que assistir (precisamos ganhar nosso pão de cada dia, né?). Anota aí, que esse espetáculo tá fazendo parte da programação do EM CARTAZ 2018.

AMANHÃ FOI OUTRO DIA no EM CARTAZ 2018
15 e 16 de junho de 2018 - 20h30
Espaço Cultural Victorio Faccin
Rua Duque de Caxias, 380 - Rosário
Ingressos: R$ 20,00 (geral) - R$ 15,00 (antecipado) e 
R$ 10,00 (estudantes e idosos)

E aí? O que achou desse processo? Comenta aqui embaixo pra tia e venha ver de pertinho o resultado!

Até a próxima!


Só de pensar que a minha única preocupação nos
anos 90 é saber o que tinha na nave da Xuxa...






terça-feira, junho 12, 2018

A palavra é...

MELODRAMA (me.lo.dra.ma.)

Cena do Exercício Cênico do texto melodramático "A Filha do Mar", da turma de Experimentação do nosso Curso de Teatro (2014)

Gênero dramático que floreceu nos séculos XVIII e XIX, embora ainda hoje exerça grande influência tanto no teatro, como no cinema e na televisão. Devido ao uso da música incidental para expressar as emoções dos personagens e situções, o termo passou a ser aplicado a um tipo de drama com forte apelo emocional. As principais características eram o sentimentalismo, o mistério, o suspense, o equívoco, a coincidência, o sofrimento imerecido e a acusação indevida. A linguagem era em prosa e de caráter popular, no sentido de ser facilmente compreendida. O objetivo primeiro era comover e impressionar o espectador, e, para tanto, o autor não media esforços, sacrificando a motivação plausível, a verossimilhança, caracterizando artificialmente as personagens e enfatizando os efeitos espetaculosos, bem como as virtudes do herói e os vícios do vilão, com o que reafirmava a qualidade didático-moralista e sentimental da obra. O Melodrama, hoje referido perjorativemente, não chegou a criar grandes obras literárias, mas inspirou e influenciou decisivamente o drama romântico. 

Lendo essa definição provavelmente lá no fundo da sua memória deve ter surgido algo que você já viu pelo menos uma vez na vida... Ainda não reparou? A tia vai ajudar. O Melodrama é composto pelos seguintes personagens: 

1) Mocinha: é um poço de virtudes e qualidades que passa a trama inteira sofrendo por ser incompreendida e muitas vezes é apresentada como órfã, abandonada pelo destino. Frequentemente é acusada por algo que não fez. Tem o final feliz, quando o seu passado é revelado e as acusações são infundadas. 

2) Vilão:  é totalmente o oposto da Mocinha, mau, venenoso, perigoso e sem escrúpulos. Deseja ser alguém na vida, sempre almejando riquezas e posses. O final dele ou é o arrependimento e a aceitação da penitência, ou é a morte iminente.

3) Herói ou o Mocinho: é o par da Mocinha e tão bondoso quanto ela. Tem princípios e valores inabaláveis, por ser tão bondoso, pode ser facilmente enganado, mas até o final da trama consegue enxergar as coisas com maior entendimento e triunfa sobre o mal.  

4) Grande Dama ou Velho Pai: começa tendo caraterísticas de Vilão, todo mundo acha que não presta, mas é apenas mal compreendido, passou por um momento na vida que amargurou o seu coração, mas quando a trama se desenrola percebe que o tempo inteiro estava enganado e pede perdão pelo que causou a mocinha. Normalmente é a mãe/pai que pensou que tinha perdido a filhinha.

5) Bobo: é o personagem que alivia a situação, traz um pouco de comédia para uma trama tão tensa. Com suas atrapalhadas ele pode ser o personagem-chave que pode desvendar o mistério e ajudar a desatar o nó da trama. 

E agora? Tá vindo algo na sua memória? 

Ai, Jesus! Vou dar mais uma dica e já era,  tá? Sempre que tem uma cena intensa, se ouve uma música específica, tipo TAN TAN TAANNNN... 


NOVELA, criatura! 

O Melodrama é o tatatatatatatatatatatatatatataravô das nossas novelas, e nem importa a nacionalidade (brasileira, mexicana, indiana, americana...) sempre segue o mesmo esquema: romance - mal-entendido - mocinha que come o pão que o diabo amassou - vilã (ou vilão) que saltita sobre a carniça - reviravolta - um segredo revelado - um parente perdido - uma conexão de eventos - decadência da vilania - aquela cena final de casamento onde tudo acabou bem e aquela explosão de bebês para nascer. 

Para não ser injusta, aqui no Brasil, no começo dos anos 2000, as novelas tem tido maiores elaborações e que saem um pouco desse esquema - quem não se lembra da novela A Favorita, que logo no começo mostrou quem era vilã e quem era a mocinha de verdade, ou com a Avenida Brasil, em que a vilania variava entre a Nina e Carminha? 

Mas mesmo assim, lá no fundo ainda pulsa o sangue Melodramático

Duvida? Pois então vou te dar um tema: escolha uma novela que marcou muito a sua vida e tente encaixar os personagens que comentei ali em cima e os fatos no esquema que eu disse. Você verá que grande parte das coisas vão coincidir. 

Vou esperar você me dizer o resultado aqui nos comentários, ok?


Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

terça-feira, junho 05, 2018

Curiosidades: O que não é animado, mas faz parte da cena!

Olá pessoal! 

Como vocês podem ver neste post, temos uma sessão no nosso blog onde falamos dos bastidores do nosso catálogo. Muita gente tem curiosidade em saber como um espetáculo é feito e você poderá navegar por aqui para ver como a gente fez com os nossos. 

No post de hoje falaremos de um item que não indespensável, mas é muito importante na criação do espetáculo. 

O que é o que é: Não é animado na maior parte do tempo, mas faz parte da cena?

Estamos falando do Cenário Teatral: aquele item que tem o objetivo de ambientar o espectador no enredo do espetáculo. Além de nos mostrar onde que a peça está sendo narrada, o cenário descreve a época em que a história se passa, cria a ilusão da construção de um novo espaço, modificando o palco cênico, oferece material e inspiração para os atores e consequentemente auxilia na construção de cenas. Enfim... pensem que para quem trabalha com teatro, a concepção de uma ideia de cenografia não é simplesmente montar um local, tem-se que pensar em toda simbologia, estrutura e viabilidade,  cada item que é acresentado tem importância, foi bem pensado para estar ali, tudo isso para  que o espetáculo seja feito de forma fluída e sem tropeços. 

Embananei a sua cabeça, não é? Mas vou falando dos nossos cenários e espero que eu consiga te desbananar... (amei essa palavra!)

Travessias
Cenografia: Cristiano Bittencourt


O espetáculo começa com apenas um carrinho de supermercado velho, cheio de quinquilharias, garrafas vazias, pneus, que indicam que os personagens não tem uma moradia fixa... Se der na telha de ir embora, é só botar tudo no carrinho e seguir caminho para o próximo lugar. Conforme o espetáculo se desenrola, a nova casa deles é construída, um colchão com uma colcha num canto vira o quarto, os pneus amontoados do outro lado da cena vira a poltrona da sala. Os personagens são crianças e toda a construção do cenário vai se fazendo através de brincadeiras. 

Além disso, a mudança dos objetos transforma o cenário, ora era a casa deles, ora era o tribunal de julgamento, ora era a rua: essa é mais uma das magias que o cenário poder promover, mudanças de ambientes em um mesmo palco, ressignificando os objetos que estão em cena. 

Todo cenário de Travessias foi resultado de muita sucata. Cristiano elaborou o cenário pensando justamente no universo de meninos e meninas que vivem nas ruas e que vão recolhendo o que veem nos lixões para formar seus próprios patrimônios. A única coisa que não é vinda dos lixões e que os meninos despendem o pouco dinheiro que ganham é para a compra das balinhas milagrosas.

Say Hello para o Futuro
Cenografia: Cristiano Bittencourt


Com a mesma ideia do Travessias, de mudanças de ambientes, o cenário do Say Hello é composto por módulos com as seguintes formas:  dois cubos, um prisma triangular e, na primeira versão, tinha um cilindro. Além deles, tem 2 biombos e o chão coberto por linóleo. Todos com rodinhas, exceto o linóleo. 
Má que caramba é linóleo?
É um tecido impermeável, resistente, que tem um aspecto plastificado. Pode ser emborrachado, fosco, ou vinílico, com brilho. Sabe aqueles pisos para apresentação de dança? Então, é aquilo.
A palavra de ordem do cenário do espetáculo Say Hello para o Futuro é  praticidade. Os módulos são ocos, onde os objetos cênicos são guardados e retirados para cada determinada cena. Como se trata de um espetáculo composto por cenas curtas, que necessariamente não tem ligação entre elas, a mudança de ambientes é feita de forma mais dinâmica, como se pulássemos de abas do nosso navegador da internet. 

Segundo Cristiano, a ideia do cenário vem da construção das placas de computadores, onde os componentes possuem essas formas geométricas básicas, como se fôssemos transportados para dentro de um computador. Como o chão dos palcos de teatro é feito com madeira, material que não tem nenhuma relação com a tecnologia plástica dos dias de hoje, optou-se por cobrir com linóleo para manter esse ambiente hi-tech. Não é um espetáculo realista, Say Hello permite construir um espaço que fica entre o que é real e o que é digital: além de todo cenário descrito, temos as projeções que enriquecem esse cenário. 

Amanhã Foi Outro Dia
Cenografia: Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Indenpente


Aqui chegamos no ponto oposto do Say Hello. Amanhã Foi Outro Dia é um espetáculo montado em um ambiente realista - ou seja, mais próximo da realidade possível. 
Realismo é um movimento artístico, onde tem o principal objetivo de retratar a realidade da vida, seja em pinturas, esculturas e até em peças teatrais. No teatro, o realismo veio com força com os trabalhos de Constantin Stanislavski (1863-1938). Segundo ele, o espetáculo era uma representação de uma fatia da vida. O seu empenho em transformar um espetáculo mais perto do real, incluindo na representação de atores, rendeu um método de atuação que é seguido até hoje nas escolas e faculdades de teatro. 
Voltando a programação, o cenário do Amanhã Foi Outro Dia é composto por uma estante, tábua de passar, mesa, cadeira, cômoda e tapete. A intenção aqui é nos transportar para uma casa de uma família de baixa renda. Apesar do espetáculo ser baseado em um texto dos anos 60, ele foi transportado para os anos 90, principalmente em uma época bem difícil aqui no Brasil. Estávamos sofrendo um retrocesso econômico muito grande, inflações altíssimas - herdeiras do período da ditadura, processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, cortes de empregos e custos, confisco de poupanças, o que acarretou em falência de empresas e famílias. 

Agora imagina o trabalhão que foi para se pensar em um cenário que pudesse juntar todas essas informações??

A palavra de ordem da cenografia do Amanhã Foi Outro Dia é reaproveitamento.  O cenário é a junção de cenários de outras peças que já foram realizadas tanto pelo TUI, quanto pelo Por Que Não? A ideia é dar uma cara de que não são móveis novos, que foram adquiridos de segunda mão, visto que naquela época, para comprar algo novo, tinha que dar um rim praticamente. Então o cenário não possui um acabemento bem atraente, aproveitando a cor natural da madeira e os descascados de pinturas anteriores. Por mais que sejam pobres, Joana é costureira e preza pelo cuidado do lar, então há de encontrar toalhinhas, almofadinhas e bordados que deem um tapa no visú da casa. 

Além de retratar essa época, o cenário deste espetáculo tem uma função-chave, diferente das mudanças de ambientes dos espetáculos Say Hello e Travessias. O cenário foi criado para trazer a sensação de mudança de tempo. Como foi isso?? Ah, meu caro, não sou spoiler, terá que assistir.

Amores aos Montes
Cenografia: Cezar Gomes (Entalier) e Polin

Foto: Cezar Gomes

Quando começamos o processo do  espetáculo Amores aos Montes, tínhamos em mente que, por ser na rua, o espetáculo deveria chamar atenção e ser visível, mas ao mesmo tempo teria que ser prático, pois enfrentaríamos diversos tipos de solos (cimentados, gramados, terra batida, britas...).

Além disso, teríamos que fazer um cenário em que pudéssemos carregar todos os objetos necessários, não ser pesado, para não depender de um carro para ser puxado e que possa sustentar uma pessoa em cima.

Chamamos o Cézar para pensar na logística e aí surgiu o nosso amado Carrinho! Ele é composto por barras de ferro, rodas de plástico resistentes, pratileiras móveis de madeira, com espaços para pendurar e guardar instrumentos e painéis retráteis para indicar cada fatia do espetáculo.

Ele é multi-uso: é o nosso camarim, palco e o cenário. Camarim pois carregamos todos os nossos figurinos, instrumentos, água e objetos cênicos que utilizamos durante todo o espetáculo; Palco, pois utilizamos o teto do nosso carrinho para encenar (para quem assistiu, estou falando das cenas Terapia de Casal e Trogloditus Masculinus) e também é com ele que delimitamos o espaço de cena; Cenário pois interagimos com ele, virando a Love Machine na última cena do espetáculo, por exemplo.

Para deixá-lo mais chamativo, chamamos o Polin para dar uma cara mais urbana nos nossos painéis, que serviam para mostrar sobre qual "não amor" estávamos encenando. Em cada painel falamos o que o amor não é: 1- O amor não é a cereja do bolo, 2- O amor não é frase pronta, 3- O amor não é seu ponto fraco e 4- O amor não é moeda de troca. Optamos pelo grafite pois é a linguagem das ruas, é a identificação do lugar onde estamos.

O Carrinho é desmontável, justamente para que possa ser transportado para apresentações fora de Santa Maria. Com ele já fomos para Santa Cruz do Sul, Rosário do Sul, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Nova Esperança do Sul, Vila Nova do Sul, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, São Pedro do Sul, Nova Palma... ufa, má rodou esse Carrinho, né não? E iremos para mais uma cidade gaúcha, anota aí e venha conhecer nosso Carrinho:

AMORES AOS MONTES na Viagem Literária
06 de junho de 2018 - 19h
Comunidade Evangélica de Vera Cruz
Vera Cruz - RS
Ingresso: R$ 15,00 (geral) ou 
1kg de alimento não perecível 
(para pais e alunos)

Não vai estar em Vera Cruz? Não tem problema! Estaremos em Santa Maria logo depois:

AMORES AOS MONTES
10 de junho de 2018 - 16h
Concha Acústica - Pq. Itaimbé
Santa Maria - RS
GRATUITA 
(má se quiser trazer um mimo para a gravidinha aqui, 
aceito de braços abertos... rsrsrs)

E aí? O que achou desta postagem? Informação à beça, não é mesmo?! Comenta aqui embaixo e deixe uma tia feliz!

Contamos com a presença de vocês!

Até a próxima!

Só na espera dos meus presentinhos... Pode ser comida tb, tá?

quinta-feira, maio 31, 2018

Crítica: Say Hello Para o Futuro

Olá pessoal! 

Como vocês podem ver nesta postagem aqui, o nosso amado Say Hello para o Futuro voltou depois de um ano de hiato com novas cenas, novas ideias e até um novo ator! 

Essa reestreia rendeu uma crítica super bacana da acadêmica do Curso de Artes Cênicas, da Universidade Federal de Santa Maria, Thayná Máximo de Almeida. Vamos dar uma conferida?



Crítica: Say Hello para o Futuro, por Thayná Máximo de Almeida

Ambientado no cotidiano de uma vida futurística e tecnológica, o espetáculo "Say Hello para o futuro" evidencia aspectos e comportamentos não tão distantes da nossa realidade atual, através de um enredo não linear, composto por cenas desconexas. O estilo humorístico traz suavidade aos eventos, que retratam situações absurdas e impactantes.

Logo na primeira cena fica evidente a crítica que o espetáculo faz sobre o uso abusivo e antiético da tecnologia e redes sociais. Duas personagens num velório decidiram fazer uma homenagem tirando uma foto com o falecido e publicando em suas redes sociais. Apesar de parecer inacreditável, o evento já ocorreu em velórios de celebridades. 

Outra cena exibe a rotina de um homem com seu robô, que controla seu sono, horários, agenda e até mesmo calorias ingeridas. Apesar da rotina exaustiva, a grande preocupação do personagem é sobre a falta de notificações de amigos e familiares em suas redes sociais. O fato deixa o questionamento de quantas vezes nos importamos com curtidas, comentários, solicitações, mensagens e nos esquecemos de nós mesmos e da vida real. Ainda atrelada nesse tema, uma cena explicita a preocupação com a beleza nas redes sociais e as atitudes tomadas em busca de curtidas e comentários. A beleza e felicidade falsas que acompanham cada foto publicada, a cópia ou inspiração em poses e temas que estão em alta já faz parte da nossa realidade.

Em determinada cena dois personagens preocupam-se apenas em fazer uma boa fama de que ajudam e colaboram em projetos beneficentes ao invés de realmente fazer algo. Como se isso não bastasse, quando um assaltante chega eles devem decidir entre a vida de uma mulher ou os celulares e escolhem o último. A crítica ainda segue sendo feita quando os personagens querem ajudar o assaltante a ter fama nas redes sociais, a conquistar seguidores, etc.

Aproveitando a deixa explícita sobre redes sociais, os atores fazem contato direto com a plateia ao questionarem sobre "textões" publicados e posicionamentos que retratam apenas a verdade absoluta. A ironia do discurso gera reflexão e, em certos, casos constrangimentos, o que sugere que alguns realmente não buscam informações antes de se posicionarem, independente do tema.

O espetáculo também mostra os bastidores e apresentação de uma "Missa online", com propagandas e produtos à venda referentes ao tema. A relação estabelecida entre os personagens e o que eles pregam é propositalmente incoerente. A cena ainda traz a temática da homossexualidade como pecado, necessitando de cura através da religião.

Por fim, o espetáculo apresenta uma cena de protesto, com causas absurdas e comentários machistas, elitistas e preconceituosos, questionando (ao fundo num telão) quem seriam os responsáveis, com imagens e legendas: "Você? Você!". E logo depois uma gravação da plateia entrando no teatro pouco antes do espetáculo começar, mostrando muitas pessoas nos celulares, recurso que deixa claro que realmente tudo que foi apresentado não é um futuro tão distante assim.

A atuação do elenco, considerando as relações estabelecidas entre eles, cenário e público, foi muito boa. A variação entre as personagens, já que não representavam apenas um durante o espetáculo, também foi excelente, apresentando corporeidade, sotaques e tons de voz diferentes. O figurino colaborava muito para isso, expondo peças simples, porém sem deixar de seguir a estética futurística proposta.

O cenário todo era composto pelo telão ao fundo, que mostrava imagens e frases em determinadas cenas, duas telas móveis que serviam de paredes, dois cubos grandes que serviam de bancos e guardavam objetos, e uma mesa triangular. Os mesmos cenários e objetos tinham significações e funções diferentes no decorrer das cenas. Ainda sobre os elementos cenográficos, é importante ressaltar a trilha sonora, que estava atrelada não somente as ações, mas também a iluminação, gerando efeitos maravilhosos.

O espetáculo superou as expectativas que foram criadas por conta dos comentários do público que assistiu a primeira versão dele. As críticas e o modo como foram feitas foi sensacional. Aguardo ansiosamente que os envolvidos considerem a possibilidade de produção de uma terceira versão do espetáculo, tendo em vista a grande aceitação do público.

E aí? Curtiu? Comenta aqui embaixo pra tia! 

Não assistiu a reestreia? Não se preocupe, teremos não uma, mas DUAS apresentações nesta semana. 

SAY HELLO PARA O FUTURO
01 e 02 de junho de 2018 - 20h30 
Espaço Cultural Victorio Faccin 
Rua Duque de Caxias, 380 - Rosário
Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 15,00 (antecipado) e R$ 10,00 (meia) e temos online aqui!

Contamos com a sua presença!

Até a próxima!


terça-feira, maio 15, 2018

Processos e mais processos - Say Hello para o Futuro

Carinhosamente chamado de Say Hello, ele estreou em março de 2015, mas começou-se a pensar nele em julho de 2014. 



O ano de 2014 foi intenso para nós: o Espaço Cultural Victorio Faccin ficou fechado de janeiro a outubro, em função de uma grande reforma, o que diminuiu drasticamente a nossa demanda de trabalho artístico. Durante esse período não tivemos novas turmas do Curso de Teatro, não houveram  muitas apresentações e Por Que Não? estava reduzido a cinco integrantes. Estávamos com todas as energias voltadas para a reforma, fazendo eventos, projetos de crownfounding, passando tudo que entrava no caixa para colocar um teto e um chão novo para o Espaço. 

Prevendo que quando a reforma acabaria,  estaríamos praticamente começando do zero, surgiu a ideia de fazer um novo espetáculo. Ao mesmo tempo, o mundo tava passando por um momento de popularização de smartphones e o lançamento de muitas tecnologias e aplicativos que atualmente para nós são tão banais, mas que há 4 anos era o crème de la crème - volta e meia nos víamos comentando sobre esse avanço tecnológico e como isso afeta as nossas vidas. 

Foi o estalo inicial. Felipe (Martinez, o diretor do Say Hello) somou esses dois fatores e propôs a criação de um novo espetáculo, que fosse criado por nós, incluindo o texto. Isso é o que se chama Dramaturgia Coletiva



Muitos grupos aqui no Brasil e no mundo trabalham com esse tipo de processo: é quando o texto é formado em conjunto com a criação das cenas, com a colaboração dos atores e do diretor. 

Porém, para que todo processo comece tem que haver combustível. Com o Say Hello, as notícias que pipocavam sobre a internet, redes sociais e tecnologias foram o nosso principal combustível  - a possibilidade de se ter mais um veículo de comunicação largamente difundido e como nós estamos nos adaptando à essa nova realidade. 

Casos de selfies desastrosas, surgimento de jogos com a realidade aumentada, a proteção de uma tela para um desabafo, a criação de uma segunda vida no meio digital que não é nada parecida com a vida real, os maiores medos e segredos abertos em blogs, a rapidez que as notícias são publicadas e compartilhadas, relacionamentos baseados em fotos manipuladas, a disseminação do ódio travestido de opinião... enfim, absorvemos tudo para poder criar as cenas. 




O principal ponto do espetáculo Say Hello para o Futuro era juntar essa Era super tecnológica e atual com uma arte tão milenar que é o teatro e ainda assim não perder a essência nem de um e nem de outro. #comofaz

Nos perguntamos: o que faz o teatro ser teatro? 

É a relação que temos com o público. Quando estamos assistindo tv, a nossa relação com o que acontece ali é totalmente passiva. Podemos berrar com a tv, que nada do que passa lá será modificado (a não ser que você esteja num link ao vivo). Já com o teatro, com a presença viva do público, essa relação é diferente - se torna ativa. Se você comentar, querer falar com alguém no palco, dependendo do espetáculo, você afetará o andamento do mesmo. 

Nos perguntamos: por que esse mundo virtual é tão viciante? O que acontece nele que nos fascinam tanto? 

É a possibilidade de falar o que quer, quando quer, o quanto quiser e ser quem quiser e não precisar mostrar o rosto - é a segurança que a distância física dá. Podemos acrescentar que a relação interpessoal é diretamente afetada: como já dizia Zygmunt Bauman* (resumido porcamente por mim), o que chama atenção não é a facilidade de criar novas conexões com as pessoas, é a facilidade em desconectar. Enquanto pessoalmente passamos pelo constrangimento em querer cortar relações interpessoais, na internet é só apertar 'delete' e pronto.
Além disso, a nossa vaidade é hiper estimulada com a facilidade que a tecnologia propõe em expor as nossas vidas. 

O Say Hello nada mais é do que o resultado dessa equação: Uma rede social onde participamos ativamente, em tempo real (como a internet) em um ambiente compartilhado abertamente, sem telas (como num teatro). 


Com essa miscelânia de ideias, botamos para improvisar e criamos MUUUUUUITAS cenas!  Só para ter uma ideia, a primeira vez que passamos todo o espetáculo em ensaio, o Say Hello teve mais de uma hora e meia de duração. Ao invés de descartá-las, fomos deixando guardadinhas, pois, como a internet e todos os os dispositivos eletrônicos, pensamos que o espetáculo também teria atualizações.

Então não era de se estranhar que a cada apresentação, alguma coisa se modificava, uma nova cena era inserida (ou era retirada), uma mudança de figurino e som, até mesmo as falas dos atores se alteravam sem aviso prévio para o público, tornando uma experiência única!


E foi assim, que no dia 01 de março de 2015, no Espaço Cultural Victorio Faccin, Say Hello para o Futuro entrou no ar e até hoje nos surpreende, nos diverte e nos faz mais conectados com o mundo, procurando cada vez mais entender o quão louco é essa relação sociedade/tecnologia e desvendando o que poderá acontecer em um futuro, não tão distante assim, mas que nos parece tão longe!

O que achou desse processo? Tu já assistiu Say Hello para o Futuro e quer contar um pouquinho da sua experiência pra gente? Comenta aqui embaixo!

Até a próxima!

*Zygmunt Bauman (1925-2017) foi um sociólogo e filósofo polonês. Se quiser saber mais sobre o que ele disse sobre essa nova relação entre as pessoas, tem o livro "Modernidade líquida" em que ele aborda esse tema. 




quinta-feira, maio 10, 2018

A palavra é...

Fé cênica (fé. cê.ni.ca.)

Vão me matar que eu coloquei essa foto, mas foi registrada em um dos momentos de estudo sobre um dos nossos espetáculos (ano de 2010, ou 2011... vixi... faz um tempo). Quis pegar essa porque olhas essas ricas carinhas, xóvens... 

Expressão criada por Constantin Stanislavski (1864-1938) para designar a capacidade do ator acreditar na ficção a ponto de convencer o espectador de que aquela ficção constitui uma realidade para o personagem. A aparência de verdade que o ator imprime aos gestos e movimentos ensaiados e às falas decoradas, tornando crível a sua interpretação. Para Stanislavski, fé cênica é o "estado psicofísico que nos possibilita a aceitação espontânea de uma situação e de objetivos alheios como se fossem nossos".

Em miúdos, sabe aquele momento em que você se emociona, ou morre de raiva, ou de pena, ou torce para aquele personagem? Seja nos palcos do teatro, seja nos filmes e até nas novelas, o que acontece naquele momento é que a interpretação do personagem foi tão verdadeira a ponto de despertar diversas sensações na gente. 

Muitas vezes isso acontece pois o ator se dedicou o possível para que o personagem crie essa aproximação com o público. Não é à toa que vimos em entrevistas que o ator fez um laboratório para trabalhar determinado personagem. 

O laboratório nada mais é do que um estudo aprofundado do personagem, através dele que o ator começa a criar essa "segunda vida", procurando entender quem é esse personagem, de onde ele vem, qual é o meio que ele vive, quais são os obstáculos que ele enfrenta, quais são suas qualidades, seus vícios, como se movimenta, como reage, como fala... Enfim, tudo isso gera um material preciosíssimo para o ator alcançar a fé cênica. 

E tu aí achando que ator não estuda, néam?

Tem alguma dúvida sobre o universo do teatro? Comenta aqui embaixo!

Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

terça-feira, abril 24, 2018

Processos e mais processos - Curso de Teatro

Uma coisa que atiça, e muito, a curiosidade do povo quando se trata de teatro é como a gente chega naquele resultado, ou seja, o espetáculo?

Então é aqui que você vai saber como a gente faz.

Primeiro de tudo, você tem que entender que o teatro é muito plural e que existem muitos, mas muuuuuuuitos meios, para você construir uma cena ou espetáculo, que não há uma fórmula exata, mas que há atalhos que podem facilitar nessa construção. 

Por isso que vou dividir em várias edições e você poderá acompanhar como é cada processo - o que nós fazemos no curso ou nos nossos espetáculos.

Captou a nossa mensagem? Então vamos lá! 

O que fazemos no Curso - Turma Livre?

Se você ainda não sabe, nós oferecemos o Curso de Teatro, voltado para pessoas que nunca fizeram teatro ou para pessoas que já tem uma certa prática e ainda oferecemos para diversas faixas etárias.

Hoje vamos falar da Turma Livre para Adultos, voltado para pessoas que nunca mexeram com teatro.

Apresentação da turma Módulo I - 2017

Como os alunos são iniciantes, o nosso intuito é que o processo de montagem do exercício final seja feito da forma mais tranquila e natural possível, sem a pressão de se decorar um texto inteiro de uma obra dramartúgica ou se prender à uma forma de construir cena

Para isso, não nos apegamos a um texto pronto, sempre começamos esse processo como uma pesquisa sobre a nossa auto-imagem. Lançamos mão de exercícios que fazem com que os participantes tenham maior consciência do corpo, que se sintam à vontade em estar presente no palco. 

A partir daí que começamos a esboçar algumas cenas, sempre partindo das ideias de nossos participantes. O nosso papel como instrutores é incentivar ideias, estimular a criatividade e refinar  todo esse material para fazer a cena.

Apresentação da turma Módulo II - 2017

Não elaboramos um espetáculo tradicional com atos e intervalos. Isso causa muito trabalho e consequentemente, muita pressão e em pouco tempo. Diferente das turmas infantil e juvenil, os adultos carregam muito mais bloqueios, que são acumulados ao longo da vida, como por exemplo:  se portar no emprego, na universidade, nos eventos sociais; experiências passadas no período escolar; nossas vivências com  a família e amigos, coisas pelas quais as crianças ainda não passaram e os jovens recém começarão a passar

Fazemos como um mosaico, juntamos as peças aos poucos. Nesse meio tempo, quando percebemos que um fragmento de texto pode encaixar bem em uma dessas peças, incluímos no processo, começamos o trabalho com o texto - voz, entonação, pausas, respiração... mas sempre de uma forma tranquila. Os textos podem ser variados (até uma bula de remédio vale!) e sempre prestamos atenção para que não fiquem sobrecarregados. Não é uma regra, se há uma cena que não tem necessídade de ter texto, ela irá para o palco sem texto e ainda assim será uma  boa cena.

Apresentação da turma Módulo I - 2017

O resultado disso tudo é uma apresentação de esquetes - espetáculos de curta duração, no máx. 15 minutos. 

Aqui com as nossas turmas, pensamos na vergonha e no medo de se apresentarem para um público, portanto as apresentações são fechadas - dando o livre arbítrio para o participante escolher quem poderá assistir, ou então promovemos o intercâmbio entre turmas, em que uma assiste a outra.

E aí? O que acharam?

Se você já fez o Curso com a gente e quer acrescentar mais alguma experiência que você teve, comenta aqui embaixo que a tia vai ficar muito feliz.

Apresentação da turma Módulo II - 2017

Ficou morrendo de vontade de experimentar?

As matrículas para o primeiro semestre  estão encerradas e seráo reabertas na segunda metade do ano de 2018. Masssss, se você não aguenta esperar até o segundo semetsre, clique aqui que nesse final de semana vai rolar a nossa Oficina de Iniciação Teatral, que mostrará um pouquinho do que a gente faz no Curso. E temos vagas!

Até a próxima!




quinta-feira, abril 19, 2018

A palavra é...

Palco Italiano (pal.co. i.ta.li.a.no.)

Entrada do público para o espetáculo Amanha foi Outro Dia - aqui no Espaço Cultural Victorio Faccin, o palco é bem italiano: cena pra lá e público para cá.

Tipo de palco característico dos teatros europeus a partir do séc. XVII. Trata-se de um palco retangular, aberto para a plateia e delimitado pela boca de cena (onde normalmente fica a cortina). A relação entre atores e espectadores é sempre frontal. Popularmente chamado de Palco Italiano é, ainda, o mais comumente encontrado nos teatros existentes atualmente, e apesar das limitações, oferece condições de visibilidade, acústica e ilusionismo o mais próximo possível da perfeição. 

Além do palco italiano, existem outras configurações de palco:

- Giratório: Parecido com o italiano, ele possui mecanismos para girar o assoalho, facilitando a mudança de cenário. Um exemplo é o programa de televisão Vai que cola, do canal Multishow

- Galpão: Ao invés da plateia ficar frontalmente, ela ocupa as laterais do palco, transformando o mesmo em um grande corredor. A relação atores/plateia não fica só de frente, oferecendo uma maior amplitude da cena. Um exemplo é a sede do grupo Teatro Oficina, de Zé Celso Martinez, em São Paulo.

- Arena: A cena fica totalmente no centro e a plateia fica em volta, formando um círculo (pode ser um quadrado, um octógono... é bem livre). É uma confirguração característica dos espetáculos de rua, e oferece uma visão 360° da cena. 

- Semi-arena: Similiar à arena, com uma delimitação ao fundo da cena. Ali não há acesso ao público, é mais usado para desenvolvimento do espetáculo - troca de figurinos, descanso de atores. Um exemplo é o nosso espetáculo Amores aos Montes, onde delimitamos o fundo de cena com o nosso carrinho. 

- Black Box: É um espaço plural. Com a plateia feita basicamente por módulos, a configuração black box (caixa preta), permite montar o palco em diversas formas, incluse as que eu comentei antes. Aqui em Santa Maria temos um teatro assim - é o Teatro Caixa Preta, do Centro de Artes e Letras da Universidade Federal de Santa Maria (e temos um enorme carinho, pois todos nós trabalhamos como monitores de lá, na nossa época de universitários)


MA CHE?! Comprendere il post, ragazzi?? 


Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

terça-feira, abril 17, 2018

O que é esse adesivo que tá no seu perfil?

Se você tem um amigo artista na sua rede social, provavelmente você viu a foto de perfil dele desse jeito: 



E deve tá se perguntando por quê que tá com esse adesivo?

Senta aqui com a tia que vai tentar explicar. 

Lei para artistas

Primeiro de tudo você deve saber que todos os artistas e outros trabalhadores que se envolvem em produções culturais e artísticas tem uma lei federal. 

Estamos falando da Lei n° 6.533, que reconhece a nossa profissão legalmente. 

Mas o que isso significa para os artistas?

Ter uma profissão reconhecida por lei significa que temos direitos garantidos, tais como: piso salarial para cada categoria, aposentadoria, férias, assistência de sindicatos, limite de horas trabalhadas/semana e muitos outros direitos trabalhistas. 

Não foi fácil conseguir essa lei. Ela foi homologada em 1978, justamente em um período bem crítico - estávamos na era da ditadura - e firma a obrigatoriedade de ser ter um registro profissional para exercer a profissão artística: é o tão comentado DRT e é indispensável para a participação de grandes festivais de teatro, produções cinematográficas, telenovelas... 

Não estamos falando só de atores e nem só de teatro
Art . 2º - Para os efeitos desta lei, é considerado:
I - Artista, o profissional que cria, interpreta ou executa obra de caráter cultural de qualquer natureza, para efeito de exibição ou divulgação pública, através de meios de comunicação de massa ou em locais onde se realizam espetáculos de diversão pública; 
II - Técnico em Espetáculos de Diversões, o profissional que, mesmo em caráter auxiliar, participa, individualmente ou em grupo, de atividade profissional ligada diretamente à elaboração, registro, apresentação ou conservação de programas, espetáculos e produções.
Portanto,  a lei abrange TODOS que trabalham com arte, não só atores, mas os técnicos que viabilizam as produções culturais. Ponha nesse balaio, além dos atores, operadores de luz, operadores de som, iluminadores, sonoplastas, figurinistas, cabeleleiros, maquiadores, camareiros, diretores, assistentes de direção, produtores, cenográfos, bailarinos, contrarregras, cenotécnicos, coreógrafos, artistas circenses (palhaços, malabaristas...), figurantes, animadores de festa, performers, eletricistas de palco, maquinista, roadies, dubladores... 

Agora imagina essa quantidade de profissionais perdendo todos os direitos conquistados. 

Adultos, jovens e crianças - é uma responsabilidade enorme apresentar um bom trabalho. Foto: Thiago Formentini

"Não é o exatamente querem fazer", mas essa será a consequência 

O que está em voga agora é que o Supremo Tribunal Federal quer tirar a obrigatoriedade de registro para se trabalhar com arte (ADPF n° 183 e 293).  

Trocando em miúdos, não precisará ter DRT para trabalhar em produções artísticas

Ah, Aline, mas isso não é bom? Não estaríamos democratizando o acesso à arte, permitindo que pessoas que não tem como passar por um Ensino Superior ou Curso Profissionalizante possam exercer essas funções?

Aí é que está! É uma faca de dois gumes, pois conseguimos entender que é necessário a arte ter essa abertura com a comunidade, mas a partir do momento em que não há uma lei que possa organizar e batalhar pelos direitos, vira uma verdadeira bagunça! 

Acabarão dando o aval para nos contratar do jeito que quiserem: 

- exigindo cachês com  valores muito abaixo do que o necessário;
- não sendo obrigados a pagarem um valor extra em caso de insalubridade ou excesso de horas trabalhadas;
- em caso de doença, não teremos direito ao auxílio-doença, podendo nos substituir sem pagamentos de horas trabalhadas anteriormente; 
- artistas mulheres perderão a licença maternidade, e nem poderemos pensar em plano de carreira e aposentadoria. 

Isso é apenas a ponta do iceberg. 

Quando tiramos a fiscalização da lei, poderemos nos deparar com profissionais incapacitados de exercer a função, podendo ser um grande perigo. Imagina deixar um projeto de luz de palco para alguém que não entende o mínimo de eletricidade, por exemplo?

Cada coisinha aí em cima da bancada do espetáculo "Say Hello para o Futuro" teve muitas mãos antes de tu ver no palco.

Segundo o STF, a lei que reconhece a profissão de artista e técnicos violaria a Constituição Federal (a mãe de todas leis do Brasil), principalmente  no 5° artigo, incisos IV, IX e XII, que 
“asseguram a livre manifestação do pensamento, a liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura, além do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão”
Mas temos que saber diferenciar a livre expressão artística e o exercício profissional da arte - quando há uma relação de trabalho.

Trocando em miúdos, uma coisa é você ter a liberdade de se expressar artisticamente, compondo uma música, por exemplo, sem ser censurado. Outra coisa é você depender do trabalho artístico para pagar os seus boletos.  Botar esses dois conceitos em uma mesma balança, deslegitima justamente àquelas pessoas que precisam da arte para sobreviver. 

Por isso que há de se lutar para que não aconteça, trabalhamos com arte e para a arte e, como qualquer trabalho, também exigimos ter direitos.

Dia 26 de abril será crucial, pois é quando o STF julgará essa ação. 

Se você quer nos ajudar de alguma forma, assine o abaixo-assinado, converse com amigos e difunda a importância de se ter um trabalho digno e regulamentado também nas artes, que é uma área já subjulgada e marginalizada.

#profissaoartista
#merecemosdireitos